sábado, 26 de outubro de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (56º Capítulo)

Agora que já descobrimos quem é agente está na hora de continuarmos as aventuras deste grupo de amigos. E porque o Halloween está à porta, está na altura de eles irem a uma festa, ou melhor de fazerem a festa!
"O Halloween ainda agora começou e já tem tudo para correr mal. Quer dizer, todos os anos, ano após ano, estipulamos  ir a uma festa devidamente mascarados e nos divertirmos. Mas isso não vai acontecer este ano! E a culpa é da Eduarda!
Já não basta ter descoberto que a minha irmã é um génio e que a minha melhor amiga é literalmente a Agente mais famosa do país, vejo-me agora envolvido numa espécie de vingança sangrenta que a Eduarda pretende levar a cabo.
Pois é, aqui estamos nós, ridiculamente fantasiados, e em compasso de espera na sala de estar de Ana e do Ivo enquanto na varanda a Eduarda, a Joana e a minha irmã elaboram um perverso plano.
Não é que esteja a ser mau, vejamos, estou sentado no sofá ao lado de uma Ana e de um Ivo mascarados de Mortícia e Gomez Adams, à minha frente está um Dinis mascarado de conde Drácula (ai dele que se chegue ao pescoço da minha irmã), algures em frente à televisão está um Rodrigo que decidiu fazer um upgrade e se mascarar de Frankenstein (não sei porque motivo mas acho que esta personagem lhe assenta como uma luva), e algures lá em cima, temos uma Joana mascarada de espantalho diabólico, e uma Eduarda mascarada e Jason (aquele desgraçado do Sexta-Feira 13 que à beira de Eduarda é um bom aprendiz, pelos vistos no que diz respeito a vinganças). Eu e a minha irmã como é habitual decidimos fazer parelha e desta vez vimos carinhosamente mascarados de Wednesday e Pugsley, ou seja os filhos da Mortícia e do Gomez.
- Está tudo pronto! - Diz a Joana assim que ela e as outras duas criaturas diabólicas entram na sala.
- Que o Halloween comece! - Diz a Eduarda colocando a sua máscara de Jason e saindo de casa com tanta convicção que todos (mesmo sem saber o que se estava a passar a seguimos).
Assim que chegamos ao portão de casa vimos uma Eduarda debruçada sobre a mala do carro a tirar quantidades quase industriais de papel higiénico (aquilo dava para limpar mesmo muitos rabinhos) e um enorme saco de plástico, onde poderia caber um morto. 
- Vamos todos ter uma crise de diarreia? - Pergunta o Ivo com sarcasmo.
- Ou vais oferecer chocolates às criancinhas com laxante? - Brinca o Dinis que já compreendeu bem o lado negro da Edu.
-Tudo boas ideias.... - Sorri a Eduarda. - Não não! Agradeço as dicas, ficam para o próximo ano!
Ficamos todos a olhar para ela, enquanto a Carlota e a Joana levam a fabrica de papel higiénico para junto da vedação.
A Eduarda segue-as e nós seguimos a Eduarda como que em procissão para venerar um santo desconhecido... Ou melhor neste caso, parece mesmo que vamos fazer um culto ao demónio, mas acho que já se percebeu a ideia.
- Este ano meus caros amigos... - Começa a Eduarda a discursar, como um ditador, já a conheço suficientemente bem para saber que isto não vai acabar mal. - Esta é uma noite de vingança.
Apetece-me dizer-lhe que esta é uma noite para nos divertirmos e comermos chocolates até nos doer a barriga, mas calo-me. Aprendi que ela tem sempre tem razão.
- Um ano depois planeei a minha vingança, e os astros estavam todos a nosso favor.
Juro que até tenho medo (e ao mesmo tempo curiosidade para saber o que vem dali, se ela esperou pelo alinhamento dos astros, vai ser coisa em grande!)
- No dia 23 de junho de 2018, dois dos nossos balões de S. João caíram na propriedade do vizinho do lado direito. Criatura essa, que já tinha reclamado do barulho... Ninguém o viu mas todos fomos assombrados pela sua voz, no S. João, no ano novo, e até mesmo durante aquele churrasco no verão passado. 
Todos nos lembrávamos de como o vizinho do lado direito conseguia ser implicativo, e também me lembro que nunca o chegamos a ver.
- Para mim, a gota de água foi quando no ultimo Carnaval ele usou os nossos queridos balões do ano anterior para fazer uma pira funerária para o João...
- João??? - Pergunta o Dinis que ingenuamente ainda não sabe que não se deve interromper os discursos da Eduarda.
- Sim! - Responde rapidamente a Ana para lhe explicar. - Tradicionalmente o João é um boneco feito de palha que se queima na noite de terça-feira de carnaval como simbolismo para o fim das festas e da entrada para a quaresma. 
O Dinis mostra-se contextualizado e a Eduarda sorri com a rápida e eficiente explicação da Ana.
- Sendo assim, eu tenho um João para ele! - Responde a Eduarda. - E a pilha funerária! 
Ela abre o misterioso saco de plástico e tira de lá um espantalho quase do seu tamanho. 
- Não estás a pensar atirar isso para o jardim do meu vizinho!!! - Exclama a Ana horrorizada.
- Credo, pensas que eu sou uma vândala? - Pergunta  Eduarda como se estivesse magoada com a sugestão da Ana. - Além disso eu gosto de fazer as coisas à descarada. E à frente de todos. 
Isto está cada vez mais estranho, até mesmo para a noite de Halloween.
- Vou entrar pelo protão da frente e fazer o doçura ou travessura.
- E como é que tu tens tanta certeza que ele não vai escolher doçura e te encher a mala de chocolates? - Pergunto.
- Primeiro porque nenhum homem adulto ia dar chocolates a uma mulher de 30 anos, segundo porque estivemos a confirmar e não tem ninguém em casa.
Dito isto a Eduarda pegou no seu espantalho e saiu pelo portão da frente entrando pelo portão do vizinho. 
Alinhou o espantalho para que ele ficasse sentado de perna cruzada nas escadas da entrada e depois, usou os rolos de papel higiénico para encher a casa e as árvores com o mesmo.
- Este foi pelos nossos queridos balões... - Disse a Eduarda atirando o primeiro rolo. Depois estendeu um à minha irmã.
- Este é para me vingar, pois graças a ti, temos medo de lançar balões...
Graças a ele e à lei que agora proíbe que sejam lançados balões...
- Este foi por dizeres que eu me ria de maneira estranha! - Atacou o Rodrigo lançando um rolo.
- Este foi por seres cobarde e não mostrares a cara! - Ataca a Joana também atirando um rolo.
- Este é pela aquela vez que começaste a reclamar no jardim que o meu carro estava quase em frente ao teu muro. - Diz o Ivo arremessando o o rolo - E não estava!!! - Gritou ele atirando outro rolo.
Nossa, o jovem está mesmo revoltado!
- Bem, se eles não gostam de si, eu também não gosto! - Ataca o Dinis fazendo também ele um lançamento.
Aqui está a prova do famoso "se não os podes vencer, junta-te a eles".
- Eu não tenho nada contra o senhor... - Diz a Ana muito calmamente.
Todos ficam parados a olhar para ela como se ela fosse um OVNI que acabou de aterrar no jardim, desta feita, ela pega em dois rolos e atira-os.
Toda a empreitada que se seguiu demorou cerca de vinte minutos e quando terminou vimos a Eduarda,  tirar um papel do bolso e coloca -lo preso ao chapéu do espantalho.
- O que é que dizia o papel? - Perguntamos assim que entramos em casa.
- Dizia que esta era a nossa vingança por tudo o que ele nos tinha feito no ultimo ano, mas que no fundo não somos más pessoas. Acrescentei que tínhamos cervejas frescas e que amanhã de manhã estaríamos lá a limpar tudo como proposta de paz. 
Pois é, pode ser Halloween mas nem por isso a Eduarda iria prejudicar uma pessoa.  A verdade é que nenhum de nós pensou nisso enquanto atirava todo aquele papel e usávamos este estranho e misterioso vizinho como escape para as nossas frustrações. 
Talvez este tenha sido mesmo o melhor Halloween de sempre, pelo menos foi o primeiro a ter uma verdadeira mensagem sobre o ódio, a vingança e o perdão."

  1ª Parte - Eduarda
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14 comentários:

  1. Amei o texto, foi escrito por ti?

    Beijinhos e um sábado muito feliz.
    danielasilva-oficial.blogspot.com/

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  2. Excelente gostei do que li e continuo a acompanhar, aproveito para desejar um bom fim-de-semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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  3. A Eduarda consegue ser uma caixinha de surpresas :p

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  4. Mais um episódio muito bom.
    Gostei.
    Abraço e bom domingo

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  5. Adorando essa história!
    www.achatadebatom.com

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  6. Gostei muito, Isy! Pelo humor e pela mensagem em si; belo e bem desenvolvido texto, amiga! Meu abraço, boa semana.

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