sábado, 5 de janeiro de 2019

Tinha tudo para correr mal (17º Capítulo)

Depois do episódio especial de natal está na altura de as coisas voltarem ao normal para este grupo de amigos, contudo não sei bem se "normal" é a melhor palavra. De qualquer forma, este vai ser um episódio mais calmo e relaxado para fazer a ponte entre a época festiva e a rotina.


 "- Alguém me diz porque é que celebramos os reis? - Perguntou o Artur sentando-se no sofá à minha beira.
- Sinceramente não sei como é que isto começou... - Disse a Ana fazendo festinhas na cabeça do Luigi.
- Quando vos conheci vocês já faziam o jantar de reis... - Acrescentou o Rodrigo entrando na sala com um copo de vinho.
- Eu explico! - Digo eu levantando-me. Sinto-me o centro das atenções com todos os olhos colados em mim. Gostava de ter vestido uma roupa mais brilhante só para causar mais impacto. - Quando somos novos, todas as desculpas são boas para celebrar e para termos uma festa. O natal é uma boa desculpa para estarmos com os amigos e fazermos um jantar, a passagem de ano é um excelente maneira de sair e apanhar bebedeiras com os amigos e depois os reis é aquela festa em que bebemos e comemos o que sobrou das outras festas, antes de darmos por concluída esta época de paz e amor e voltarmos a odiar o próximo.
- Bem visto. - Concordou o Ivo afastando o Mário do sofá para se conseguir sentar. Com seis amigos e três cães é melhor começar a pensar em comprar um sofá maior.
- Porque é que julgas que celebramos a todas aquelas festas? Tudo começou quando éramos jovens e queríamos apenas festas! - Brincou a Ana sentando o Luigi no seu colo.
- Quer dizer que só celebramos o S. Patrick porque vocês queriam ir para festas quando eram novos? - Perguntou a Carlota admirada. - Não existe nenhuma história por trás dessa tradição?
Ou seja, ela acompanhou-me a mim, ao Artur e à Ana durante anos e nunca se tinha perguntado porque é que celebrávamos um feriado irlandês. 
- Nenhuma história... Apenas festa! - Respondeu a Ana.
- E o Dia da Independência? - Perguntou a Carlota.
- Para os americanos tem muita história e tradição, para nós, é apenas um motivo para festejar.
- O Santo António? 
- OK! Esse feriado nós celebramos com sentimento! - Respondo. - Celebramos o Santo António em solidariedade com os Lisboetas, e celebramos o Santo António como treino para o S. João!
- Isto é terrível! - Diz a Carlota chateada. - Sempre pensei que existia algo por trás destas tradições todas que temos, mas afinal...
- Oh por favor! - Exclama o Rodrigo - Ninguém lhe diga que o Pai Natal não existe!
Todos nos rimos, mas contra todas a probabilidades foi a Carlota que o fulminou com o olhar. Naquele momento percebi que apesar de ela sempre nos ter acompanhado, ela não sabia o motivo por que o fazia ano após ano. Simplesmente a ingenuidade dela fazia com que ela com apenas 14 anos, acreditasse naquilo que adolescentes com 17 e 18 anos lhe contavam.
- Carlota, o importante não é o como começou uma tradição, mas sim as pessoas que a fizeram durar e sobreviver ano após ano. - Disse a Joana sorrindo. - Pessoalmente as minhas melhores tradições foram todas com vocês, nunca me interessei por saber como começaram, mas fiquei feliz de me tornar parte delas. Estúpidas ou não, com festa ou sem festas, somos um grupo que assinala os momentos especiais, sem fazer perguntas!
- Falaste bem! - Diz a Ana rindo.
Nisto levanto-me de um salto e começo a dar um beijo na bochecha a cada um deles.
- Nunca percebi porque é que ela faz isto todos os anos... - Disse a Joana que só partilha as nossas tradições há três anos.
- A Eduarda sempre teve mau feitio, então eu, o Artur e a Carlota à muitos anos atrás fizemos um pacto com o diabo... - Começou a Ana.
- Entre os dias 23 de dezembro e até às 23h59 de dia 06 de janeiro a Eduarda não faz maldades nem trata mal ninguém. - Explicou o Artur.
Paro a minha roda de beijinhos e abraços para os fitar chateada.
- Vocês estão a dizer que não repararam que eu estive mais amistosa, estes 15 dias?
Desatamos a rir, posso ser mal disposta, posso até ser sarcástica, mas estas seis pessoas entendem e respeitam. A beleza da amizade está nestes detalhes, está no facto de seis pessoas completamente diferentes criarem laços, e tradições que as unem...
- Ei Eduarda, já que estás numa fase de ser boa pessoa, queres aproveitar o tempo que falta a fazer-me miminhos? - Perguntou o Rodrigo com sorriso maroto.
- EDUARDA NÃO!!! - Gritaram todos para me calar antes que eu estragasse mais uma das nossas tradições."


Acompanhem as novidades através do Facebook | Instagram | Twitter |

11 comentários:

  1. Continuo a acompanhar esta interessante história.
    Um abraço bom Domingo, feliz dia de Reis

    ResponderEliminar
  2. Com este grupo nunca falta animação! Mas a verdade é que, entre amigos, somos sempre plenos :)

    ResponderEliminar
  3. A amizade é universal. Haja abertura das pessoas :)

    ResponderEliminar
  4. Ai as tradições já não são o que eram lol
    https://matildeferreira.co.uk/

    ResponderEliminar
  5. Vim e actualizei-me, pois não quero perder o fio à meada...
    Continuo a gostar, portanto... continuarei a acompanhar.

    Renovando os votos de um EXCELENTE 2019, e de que o DIA DE REIS tenha sido muito bom, desejo continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderEliminar
  6. Gostei imenso deste capítulo, celebrando a amizade... e as tradições!... :-D
    Beijinhos! Aqui onde moro, já não se assinala o dia... antigamente, um grupo de cantares, ainda percorria algumas ruas aqui da vila, a cantar as janeiras... que entretanto cresceu... e o hábito... de há uns anos para cá... desapareceu por completo!...
    Beijinhos! Esperando que tenhas passado um excelente Domingo de Reis!
    Ana

    ResponderEliminar
  7. Mais um capítulo divertido 😊
    6 amigos e 3 cães 😁
    Sempre cheia de criatividade.
    Parabéns.
    Beijinho

    ResponderEliminar

loading...