sábado, 10 de novembro de 2018

Tinha tudo para correr mal (10º Capítulo)

A pedido de muitas famílias portuguesas... Vá OK algumas, eis que hoje publico o primeiro capitulo de TTPCM em analepse. Hoje todos nós vamos ficar a saber como é que a Eduarda e o Artur se conheceram e como é que ficaram amigos.
Não se esqueçam de deixar a vossa opinião sobre a história, pois adoro saber o que estão a achar.


"Se por algum motivo alguém observar o meu grupo de amigos, de certeza que se deve perguntar como é que um grupo de pessoas tão díspar se dá assim tão bem. A verdade é que nem sempre foi assim, durante muito tempo fomos sete estranhos, mas a verdade é que as lágrimas, o sangue e suor nos uniram e hoje somos sete pessoas diferentes mas com laços em comum.

Algures em 1995

A minha mãe mandou-me vestir uma roupa bonita e portar-me bem. A nova vizinha veio cá a casa tomar um café e trouxe os filhos, o rapaz é da minha idade, a rapariga mal anda e fala de uma maneira esquisita.
- Eduarda vai mostrar ao Artur os teus brinquedos. - Ordenou a minha mãe, afastei-me para o meu quarto com aquele miúdo magrelas e de óculos.
- Boa! Tens muitos brinquedos, mas são todos de menina! - Disse ele quando entrou no meu quatro.
- Eu sou menina! - Digo eu admirada pela observação dele. - Mas se quiseres da próxima vez que vieres cá a casa podes trazer os teus brinquedos para brincarmos juntos!
- Não gosto de ti! Tens tudo cor-de-rosa!
- Também não gosto de ti, és mau!
- E tu és gorda!
Sabem aquele momento em que nem pensamos duas vezes? Pois bem, chateada corri para ele com toda a minha força e atirei-o ao chão.
Foi o fim do mundo no meu quarto, num segundo ele estava de pé, noutro estava a empurra-lo e depois ele estava estendido no chão a chorar com o nariz a escorrer sangue.
Lembram-se de eu ter dito que a nossa amizade começou à base de sangue lágrimas, sangue e suor? Pois bem cá estão as lágrimas e o sangue a parte do suor foi quando eu tive que fugir da minha mãe porque ela me queria bater e colocar de castigo.

Alguns meses depois, primeiro dia de aulas da escola primária.

Estava a tentar encontrar o melhor lugar para me esconder. Gosto de brincar às escondidas com os meninos da minha turma. Já estou no segundo ano, por isso já sou mais crescida que os bebés da primeira classe, e por isso posso escolher os melhores sítios para brincar.
- És um menino da mamã! - Gritou um rapaz mais velho empurrando um dos bebés da primeira classe.
- Caixa de óculos! - Atacou outro voltando a empurrar o bebé que já tinha os óculos desalinhados e a camisa por fora das calças.
- Não me batam! - Pedia ele.
Ah! Finalmente reconheci o bebé da primeira classe, é o filho da vizinha a quem eu parti o nariz. Tenho duas opções, ou deixo que ele se torne o saco de boxe dos miúdos do terceiro ano, ou faço dele um homem e talvez a minha mãe possa ir tomar café com a mãe dele outra vez.
- Ei! - Gritei. - Deixem-no em paz!
- Está mas é caladinha chavala senão batemos-te! - Ameaçou o miúdo mais velho.
- Se me bateres faço queixa de ti!
- Se fizeres queixa de nós amanhã batemos-te outra vez.
- E eu volto a fazer queixa. - Ameacei, apesar de já sentir os joelhos a tremer. O bebé Artur olhava para mim incrédulo.
- Ela tem razão! Se nos fizerem mal, nós fazemos os dois, queixa de vocês! - Atacou o Artur para minha surpresa.
Fiquei admirada com a atitude dele, mas ao mesmo tempo ganhei uma coragem renovada contra os miúdos do terceiro ano. Peguei no walkman que tinha no bolso e atirei-o ao chão. A minha mãe não ia ficar nada feliz.
- E agora vou dizer que vocês me partiram o walkman!!! Larguem-no já! - Gritei ao ver a funcionária a passar pelo corredor. Comecei a chorar mesmo a tempo dela chegar junto de nós.
- O que é que se passa aqui? - Perguntou a mulher.
- Eles bateram-me a atiraram o meu walkman para o chão, e depois começaram a bater a ele... - Disse apontando para o Artur.
- É verdade, eles iam fazer-nos mal! - Continuou o Artur.
A funcionária levou os dois miúdos com ela e assim que se afastou o suficiente aproximei-me dele.
- Deves-me uma! - Disse.
- Tu mentiste! - Atacou ele, agora com mais coragem porque não tinha ninguém a ameaça-lo.
- Tu também! - Respondi com um sorriso malandro - Mas eu não conto a ninguém. Agora se quiseres, logo à tarde depois das aulas podes ir brincar comigo.
- Gostas de andar de bicicleta?
- Sim.
- Vou falar com a minha mãe para irmos passear ao parque. - Terminou ela sorrindo.

Atualidade

Desde esse dia sempre me senti na responsabilidade de cuidar do Artur, apesar de (e contra aquilo que eu gosto de assumir perante ele), ser ele a cuidar de mim várias vezes.
Para ser honesta, foi ele que segurou na minha cabeça quando eu apanhei a minha primeira bebedeira e passei a noite a vomitar no jardim, foi ele o primeiro a chegar a minha casa quando eu lhe disse que me ia divorciar, e foi o primeiro a dizer-me que eu era a melhor amiga que uma pessoa podia ter."

Espero que tenham gostado desta analepse. Por favor deixem a vossa opinião para eu saber se posso ou não continuar com estes capítulos alternativos.

21 comentários:

  1. Essa historia cada vez mais está bastante interessante
    Beijinhos
    Novo post //Intagram
    Tem post novos todos os dias

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  2. Bom, ficamos a saber que a amizade com o Artur é como a fama do Constantino. Já vem de longe. Ficamos à espera de saber como chegaram ao grupo os outros elementos.
    Abraço e bom fim de semana

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  3. É sempre encantador ficar a saber como tudo aconteceu, como é que os caminhos das personagens de cruzaram!
    Que boa partilha :)

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  4. sério?! andamos em sintonia, então :d

    beeeem, vou ter de ler os restante capítulos para me inteirar de tudo :D

    NEW BRANDING POST | TODAY'S DEALS!
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  5. Vou ler os outros capítulos!

    Bom domingo!

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  6. Muito gira a forma como se conheceram, essas amizades são sempre fantásticas.

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  7. Os verdadeiros amigos são assim... estão sempre do nosso lado, haja o que houver...
    Adorei!!! Noutro dia, com mais tempo, vou ler os demais capítulos!
    Beijinhos
    Ana

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  8. Adorei a forma como foste buscar a história ao passado e a contaste na mesma na primeira pessoa.
    Está muito bem escrito e cheio de criatividade mais uma vez
    Parabéns!
    Beijinhos

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