sábado, 11 de maio de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (35º Capítulo)

 Sem querer parecer repetitiva, mas já sendo, quero agradecer a todas as pessoas que semana após semana, vem cá aos sábados só para ler esta história e deixarem a sua opinião. Ando a pensar em fazer algumas alterações (como já vos tinha dito a semana passada), mas como já tenho a história do Rodrigo mais ou menos planeada, vamos ainda ter alguns capítulos com esta personagem como narrador principal.
"Os meus sábados começam sempre da mesma maneira. Levanto-me relativamente cedo, não porque quero, mas porque o meu corpo está habituado a isso devido a à cinco dias de trabalho, vou fazer uma corrida de uma hora pelo jardim e regresso a casa para um banho relaxante. Quando a Joana está minha casa, tomamos o pequeno-almoço juntos, mas quando ela não está arrasto o meu corpo cansado para o café para comer uma tosta mista.
Geralmente faço isto tudo sozinho, mas hoje para minha surpresa, encontrei a Eduarda (que toda a gente sabe que detesta acordar cedo) sentada numa das mesas da esplanada a olhar para o infinito enquanto o seu cigarro queimava no cinzeiro.
Isto não pode ser bom!
- Bom dia, por aqui tão cedo? - Pergunto sentando-me em frente dela, os olhos estão parados, não me fitam, e parecem ter lágrimas que querem transbordar, mas claro ela nunca vai chorar.
- Olá. - Responde ela pestanejando rapidamente para afugentar a água que teima em se formar nos seus olhos.
- Passa-se alguma coisa? - Pergunto, mas tenho medo da resposta, não sei o que fazer se vir a forte e dura Eduarda ir abaixo.
- Não.
Sei que é uma mentira, foi tão óbvio que até eu percebi. Será que devo dizer alguma coisa? Devo força-la a falar? Devo ficar apenas aqui ao seu lado?
- Precisas de alguma coisa?
- Apenas de companhia! - Diz ela com uma voz tão triste que me parte o coração.
Não pode ser, a Eduarda é adulta, é forte, é o nosso pilar. É aquela que nunca vai abaixo, é a mulher que entrou em casa da Carlota depois do terramoto para confirmar que o pai da Carlota e do Artur estava morto. Foi aquela que preparou tudo para o funeral e dormiu no sofá do amigo até ele estar mais ou menos recomposto. Ela é forte e nada a deita abaixo!
- Já comeste alguma coisa? - Pergunto.
- Sim. - Diz ela dando-me um sorriso débil. - Posso estar mal, mas não o suficiente para me ir abaixo.
Isso é bom! Ela está a ser racional.
- Queres que chame a Joana ou a Ana? Ou até mesmo o Artur?
- Não, depois falo com eles.
- Mas é alguma coisa grave? Existem motivos de preocupação?
Não queria fazer a pergunta desta maneira, mas as minhas palavras saem da minha boca e eu praticamente não as controlo.
- Não, um desgosto amoroso nunca matou ninguém.
Noto um gelo na sua voz, e a primeira coisa que me ocorre foi que o Duarte fez asneira.
- O que é que o Duarte fez?
- Traiu-me.
Aquele filho da mãe, quando o vir vai ouvir das boas.
- Não precisas de fazer planos para o torturar e matar. - Diz ela rindo, a cor está a voltar-lhe às faces. - Já tratei disso.
Olho-a assustado.
- Calma, não o matei. - Diz ela rindo, e eu solto um suspiro de alivio. - Já andava desconfiada da traição, não sou burra, sei perfeitamente que se eu tivesse deixado ele tinha traído a namorada comigo, por isso a probabilidade de isso me acontecer não era pequena, andei a segui-lo durante uma semana, e descobri. Coloquei uma câmara no quarto dele, e vim embora, no dia seguinte fui busca-la e vi o que já sabia que ia ver...
- Lamento imenso.
- Eu também...
- O que é que fizeste.
- Pequei no vídeo e fiz uma captura de imagem, pedi a um colega meu que é desenhador e pintor para criar um poster com aquela imagem deles os dois na cama, mas para acrescentar a minha imagem no canto...
Ela mostra-me o telemóvel, lá está uma imagem do Duarte com uma gaja desconhecida na cama, bem enrolados, e num dos cantos vê-se a Eduarda de perfil a assistir a tudo.
Deve ter sido horrível de ver, mas ela está aqui calma e segura de si. Quando lhe devolvo o telemóvel e fico sem saber o que dizer ela começa a rir.
- Arranjei maneira de o meu amigo ir a casa dele há duas noites, ele pintou esta imagem na parede mesmo em frente à cama dele. Consegui que ele não fosse a casa durante quase 48 horas, agora imaginas a cara dele quando ontem à noite chegamos a casa dele e ele viu isto no seu quarto?
- Deve ter ficado pior que estragado.
- Exatamente. Disse-lhe das boas e vim-me embora, agora ele tem uma recordação minha permanente, ou pelo menos até mandar pintar o quarto!
Ela estar a rir, sei como são as vinganças dela, calmas, elaboradas e inteligentes, mas então porque é que ela estava triste quando eu cheguei?
- Não estou triste por ter acabado, como eu disse, eu sabia que isto podia acontecer e mesmo assim arrisquei, sinto-me triste porque durante alguns meses pensei mesmo que as coisas até podiam dar certo.
Ela está bem, não partiu o coração, apenas feriu o ego, sinto-me aliviado, mas faço uma nota psicológica para não me esquecer de dizer umas quantas coisas ao Duarte quando o vir."

Espero que tenham gostado, o que acharam desta revelação?

Se ainda não leram...




2ª Parte: 



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15 comentários:

  1. Oi
    Que legal, não conhecia a história, vou ler o primeiro capítulo ;)
    Beijinhos
    Renata
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  2. Os fortes também quebram, mesmo que, no fundo, até se espere por determinado acontecimento

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  3. Bom com a personalidade da Eduarda, a vingança tinha que ser algo forte. E foi original. Gostei.
    Abraço e bom fim -de-semana

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  4. sempre gosto de acompanhar suas historias, bom final de semana!

    www.tofucolorido.com.br
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    Respostas
    1. Muito obrigada, fico feliz por saber que gostas da história!

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  5. Fez-me sorrir, esta vingança requintada!...
    Mais um capitulo que nos prende a atenção do princípio ao fim!...
    Beijinhos
    Ana

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