sábado, 22 de junho de 2019

Tinha tudo para correr mal (41º Capítulo)

Não tive a oportunidade de acompanhar como deve ser a receção da Carlota como narrador, mas garanto-vos que vai ser uma das primeiras coisas que vou fazer assim que chegar a Portugal.
Entretanto e porque na terça-feira já vou estar de volta, deixo-vos mais um capitulo de TTPCM.
"- Trouxe cervejas! - Digo abrindo a mala do carro que estacionei mesmo em frente à moradia da Ana e do Ivo. - Estavam em promoção lá no supermercado!
E de um momento para o outro, todos aparecem à volta do meu carro. Quer dizer, todos não, só os rapazes, a Eduarda está a beber a sua Coca-Cola com gelo e limão e a Ana já está acompanhada de um copo que suponho que seja vinho branco. Muita classe numa só mulher. Afinal quem é que usa umas sandálias douradas e um top de renda numa sardinhada?
Enquanto o meu irmão, o Rodrigo e o Ivo assaltam o meu carro como homens das cavernas, fito a Eduarda que sorri de qualquer coisa que a Ana está a dizer.
Roubo uma mini, e abro-a, dou o primeiro golo e percebo que entre mim e a Edu, só existe uma diferença. Não se trata do QI, não se trata de inteligência nem do poder de dedução, nisso somos exatamente iguais, apesar de ela não o saber. O que nos distingue é que eu me deixo guiar pelos sentimentos e pelas emoções, e a Eduarda é uma pedra.
Pergunto-me como é que eles iriam reagir se soubessem a verdade sobre mim? Ia obviamente deixar de ser a menina ingénua do grupo, e toda a gente sabe que todos os grupos precisam de um elemento ingénuo para que os restantes sintam que estão a proteger alguém.
- Temos chouriço assado e queijo para as entradas! - Diz a Ana rindo. - Já as sardinhas, não sei quando vão estar prontas visto que os homens estão dificuldade em fazer as brasas.
- Ana... Querida... - Diz o Ivo abraçando a noiva. - Todos os anos te explico que fazer brasas para uma sardinhada é uma ciência, um momento importante que deve ser saboreado.
- Eu também gostava de saborear... Mas eram as sardinhas! - Ataca a Eduarda aproximando-se do churrasco. - Por este andar batemos o recorde do ano passado e jantamos depois do fogo de artificio.
- E vais dizer que não era especial!!! - Brinca o meu irmão bebendo a sua cerveja.
Serei a única a achar estranho que a Joana não esteja aqui?
- E por falar em fogo, logo vamos até à ribeira ver o fogo? - Pergunto.
- Não me parece, se formos ver o fogo corremos o risco de só comermos sardinhas no S. Pedro! - Responde a Eduarda que já acedeu um cigarro enquanto fita as sardinhas em fila de espera para entrar no grelhador.
- Edu! Sai já dai! - Diz o Rodrigo - Ela podem não estar assadas, mas não vão ficar fumadas! 
Todos olhamos para ele, surpreendidos.
- O que?
- Se ela estiver a fumar em cima das sardinhas, elas vão ficar a saber a fumo! - Explica-se o Rodrigo afastando a Eduarda pelo braço.
-Sabes que elas são assadas na brasa... Tipo, ficam a cheirar a fumo... - Diz a Edu com calma.
- Vocês perceberam o que eu estava a tentar dizer... 
- Claro que percebemos... Mas e que tal começarem a fazer as brasas? - A Ana pegou num saco de carvão que estendeu ao Rodrigo.
- Acho que preciso de mais uma cerveja. - Acrescenta o Rodrigo pousando o saco no chão e aproximando-se das bebidas.
Por este andar vão estar todos bêbados antes de fazerem fogo.
- Edu! - O meu irmão está estranhamente empolgado. - Dá-me lume!
- Oh querido, não venhas com coisas, sei bem que me vês só como amiga! - Satiriza a Edu já levando a mão ao bolso para lhe dar o isqueiro.
- Que pena eu não fumar, ia adorar dar-te todo o meu lume! - Brinca o Ivo fazendo uma pirâmide de carvão no assador. Todos soltamos uma gargalhada.
- Olhem que eu, já vi filmes pornográficos começarem assim... - A voz do Rodrigo surge na mesa das bebidas mas faz que todos rodem a cabeça e soltem as mais variadas exclamações.
- Titulo para este filme "Ela não comeu a minha sardinha". - Brinca a Edu apagando o cigarro no cinzeiro. - Subtítulo: Ele não soube fazer-me a brasa!
Todos nos rimos, inclusive o Rodrigo que provavelmente não percebeu a piada.
Enquanto isso sentimos o cheiro de sardinhas a ser assadas, provavelmente na casa de um vizinho com mais jeito para brasas do que qualquer um destes machos alfa.
- Acho que me vou mudar para casa do vizinho! - Digo em tom de brincadeira. 
- Ias bem servida, olha que ele é bem jeitoso... - Diz a Ana. 
- EI! - Grita o Ivo rindo.
- E solteiro... - Acrescenta a Ana beijando o noivo.
- Como é que sabes isso tudo? - Nota-se uma pontada de ciúmes no Ivo.
- Ora essa, basta não ser cega para ver que ele é giro e jeitoso, e basta ser observador para ver que não vive ali nenhuma mulher! Além disso não tem aliança! 
- Andas a reparar em demasiados detalhes! 
Eu e a Eduarda trocamos olhares e vamos calmamente até ao muro de casa, prontas para espreitar. Nem reparamos que o muro é uns 50 centímetros mais alto que nós. Ou melhor, 50 centímetros maior que eu, 20 centímetros maior que a Eduarda. 
- Depois não digam que eu não sou vosso amigo! - Diz o meu irmão colocando um banco de correr aos nossos pés, subimos ambas como duas crianças que procuram um brinquedo novo.
E de repente a Eduarda que estava ao meu lado deixou de estar, foram dois segundos e um estrondo quando ela caiu do banco entornando a coca-cola e atraindo a atenção do vizinho na minha direção.
Escusado será dizer que ele me observou muito admirado. No lugar dele também estaria, afinal de contas não é todos os dias que se vê uma cabeça a espreitar para o nosso jardim.
- Olá! - Digo. Simplesmente não me ocorre mais nada para dizer.
- Está tudo bem ai em cima? - Pergunta o vizinho jeitoso.
Olho para o chão e vejo a Eduarda a levantar-se e a sacudir as calças.
- Tudo em ordem, só um ego ferido! - Brinco. Ao meu lado surge a cabeça do meu irmão 
- Vocês tem o hábito de espreitar para casa dos outros? - Pergunta o vizinho que pelo que consigo perceber não sabe se nos acha graça ou se tem medo de nós. 
Ao meu lado surge a cabeça da Eduarda. Afinal quantas pessoas cabem neste banco?
- Nada disso! - Responde a Edu. - Só fazemos isso quando o vizinho é jeitoso, caso contrario estávamos a ver a casa da direita... - Responde ela rindo. - Sabias que tem piscina?
- A sério? - Pergunta ele genuinamente curioso.
- Não faço ideia, estava só a meter conversa! - Responde a Edu. - Vou ver se os machos aqui já fizeram as brasas! Foi um prazer conhecer-te jeitoso!
- Eu vou evitar que a Edu mate alguém... - Diz o meu irmão descendo do banco, - Fica bem! 
Claro que neste momento o jeitoso do vizinho só lhe viu a mão a acenar, mas mesmo acenou de volta.
- Pronto, aquela era a Eduarda e o outro era o meu irmão!
- Pessoas interessantes... - Diz ele numa tentativa de ser educado.
- AH!!! Olá! Prazer em conhece-lo vizinho! - Diz o Ivo estendendo o braço por cima do muro. 
O vizinho jeitoso aproxima-se para o cumprimentar. - Peço desculpa por esta confusão... Os nossos amigos são um bocadinho tolinhos! 
- Não faz mal, estejam à vontade!
- Uff, estava a ver que não havia espaço para mim. - Diz a Ana subindo para o banco.
Imagino que do ponto de vista do vizinho, que só vê as nossas cabeças a subir e a descer do muro, seja um tanto ou quanto parecido com um espetáculo de marionetas.
- Desculpe lá a pergunta, mas está sozinho? - Pergunta a Ana sem rodeios.
- Sim estou!
Quem é que se dá ao trabalho de assar sardinhas para comer sozinho? 
Entretanto o Ivo já desceu do banco e deu lugar outra vez à Eduarda.
- Oh que chatice! Ninguém deveria passar o S. João sozinho! - Diz a Ana amavelmente.
- Exeto o vizinho da casa à direita, ele o ano passado ficou com o nosso balão.
- Mas é proibido lançar balões... Por causa dos incêndios! - Exclama o vizinho.
- Mau! Quem é que disse que era um balão?
- Você!
- Mas eu não disse que tipo de balão! - Diz a Eduarda que já foi apanhada - Obviamente que era um balão de água que caiu na piscina!
- Mas você acabou de dizer que a casa não tem piscina!
- Vou me embora, ele não espírito para brincadeiras! - Diz a Eduarda desaparecendo de novo.
- Desculpe lá, ela tem mau feitio! - Digo eu rindo o melhor que consigo.
- Compreendo que depois de conhecer a Edu tenha algum receio...
- Eu teria!!! - É a voz da Edu lá em baixo.
- Mas se quiser pode se juntar a nós, este tipo de festas tem sempre mais piada quando se está em grupo.- Disse Ana.
- Acho que vou aceitar, afinal já diz o velho ditado, se não os podes vencer junta-te a eles"

1ª Parte - Eduarda
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2ª Parte - Rodrigo
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22 comentários:

  1. Esse vizinho, sinto, vai dar que falar :D

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    1. Confesso que ainda não sei se vai dar ou não, mas logo se vê!

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  2. Li o episódio ontem, ainda não havia nenhum comentário e tenho a certeza de ter comentado. Será que me esqueci de o publicar?
    Fiquei curiosa com esse vizinho, e ainda mais com o outro, da piscina que não existe. Será que eles vão entrar no grupo?
    Abraço e bom Domingo

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    1. Não tinha nenhum comentário para aprovar, por isso pode ter acontecido que se tenha esquecido...
      Quanto aos vizinhos, vamos ver no que é que dá!

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  3. Passo, desejando um óptimo Domingo.
    Bjos

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  4. esse vizinho vai mesmo dar o que falar, boa semana pra vc

    www.tofucolorido.com.br
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  5. Hmmm... curiosa pelo próxima capítulo.

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  6. Aposto que vai ser o vizinho jeitoso a assar as sardinhas :))
    Beijinho

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