sábado, 29 de junho de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (42º Capítulo)

Confesso que fiquei muito feliz com o vosso feedback que tive sobre os novos episódios e sobre a Carlota. Queria mesmo surpreender-vos e acho que estou a conseguir. Se tudo correr como eu estou a pensar, a Carlota vai ser mesmo um grande desafio, por isso espero pelo fosse feedback a cada edição.
"Não vou mentir fiquei admirada quando o vizinho jeitoso da Ana e do Ivo aceitou o nosso convite. Fiquei ainda mais admirada quando o encontramos no parque a correr e ele se juntou a nós. Ele falou-nos sobre ele e apesar de viver sozinho, nem sempre foi assim, ele acabou recentemente um casamento de 3 anos, ficou com a casa, mas ficou sozinho, pois ele mudou-se de Viseu para o Porto por ela e para ter uma vida melhor, e agora por causa do trabalho não quer voltar para onde está a família e os amigos.
O Dinis - Creio que ainda não vos tinha o nome dele - mostrou ser uma pessoa muito acessível, tem uma conversa fácil e agradável, é uma pessoa simples e calma, e por algum motivo (que não está em nada ligado com o facto de eu o querer voltar a ver) acho que ainda vamos ouvir falar muito dele.
Sou retirada dos meus pensamentos pelo meu telemóvel que está a tocar no meu bolso, apago o cigarro no cinzeiro que está no parapeito da minha janela antes de atender.
- Sim? - Maldito do meu chefe nem nas minhas folgas me deixa em paz - Se eu fizer isso, eles vão achar estranho e provavelmente vão desconfiar de mim... Eles já andam desconfiados que alguém anda a passar as informações para fora, por isso durante o próximo tempo vou ter que passar despercebida!
Mais meia dúzia de palavras e desligo a chamada! Não percebo porque é que as pessoas são todas tão apressadas, na vida é preciso ter calma, e deixar que as coisas aconteçam, caso contrário só estamos a interferir com o rumo natural das coisas. 
Pior estou eu que vou ter que continuar naquela caixa de supermercado, estava a pensar que estava perto de terminar esse filme de terror, mas pelos vistos não! Que chatice!
Estou eu extremamente aborrecida a pensar na minha vida, quando ouço a porta de casa a bater, o que é estranho. Vivo sozinha com a minha mãe e ela está a trabalhar por isso, ou estou a ser assaltada ou o meu irmão veio a casa!
Neste momento estou a rezar para que seja um assaltante enquanto espalho ambientador perfumado pelo quarto, ligo uma quantidade absurda de velas, e abro uma gaveta da secretária e atiro para lá uma quantidade ainda mais absurda de papeis. Deus me livre que o Artur descobrisse!
Mesmo a tempo! Alguém bate à porta do meu quarto. Se ainda tinha dúvidas agora tenho a certeza que é o Artur, afinal de contas não acredito que o ladrão fosse assim tão civilizado.
- Posso entrar?
- Claro! - Grito eu deitada na cama a desfolhar uma revista.
Eis a minha rica e pacata vida!
- Credo! Porque tantas velas? - Pergunta o Artur assim que entra no meu quarto.
- Sabes que eu gosto, relaxa-me! Estava a pensar fazer uma espécie de day spa e estava a criar ambiente.
- Tens noção que isto parece uma catedral! - Responde ele, e eu apenas sorrio, sei perfeitamente que com tantas velas o meu quarto fica a parecer uma igreja ou um bordel... Ainda não me decidi qual.
- Vinha buscar uns livros que deixei no meu quarto e depois ia jantar, podíamos ir juntos... Já não fazemos nada como irmãos à muito tempo...
- Desde que o pai morreu! - Corrijo, no dia do terramoto não perdi só o meu pai, perdi o meu irmão que aos poucos se foi afastando e criando um fosso entre nós.
- Eu sei que depois do que aconteceu me afastei de ti, mas eu precisava de espaço, de organizar as ideias, mas agora já estou melhor e tu sabes disso...
- Sabes, ele também era meu pai! - Não queria atacar, mas a verdade é que estou magoada porque ele me deixou quando eu mais precisei dele. 
- Eu sei...
- Não sabes como foi! - Digo, sinto as lágrimas a formarem-se nos meus olhos. - Fui eu que arrastei a mãe para fora de casa, fui eu que descobri o corpo de pai, fui eu que arrumei a casa depois de tudo o que aconteceu, e tu? Tu foste incapaz de cá voltar durante três meses, e ainda agora quando cá vens é para uma visita rápida.
- Custa-me estar aqui! - Confessou ele.
- Eu sei, mas esta não é só a casa onde o teu pai morreu, é a casa onde vivem a tua irmã e a tua mãe...
- Desculpa, fui egoísta... - Diz ele abraçando-me, o abraço dele é reconfortante, e eu percebo que ele já não me abraçava à mais de três meses.
Abraço-me a ele e choro, tinha tantas saudades do meu irmão, de o sentir presente na minha vida... De ser a irmã mais nova.
- Três meses! - Segredo-lhe ao ouvido.
- O quê? 
- Já não me abraçavas há três meses! Tinha saudades! - Digo apertando-o com mais força.
- A que horas chega a mãe? 
- Por volta das 19h30 porquê?
- E se em vez de irmos jantar os dois, fizéssemos o jantar para três? 
- Parece-me uma excelente ideia!

Tenho que sorrir, pela primeira vez em três meses sinto-me em casa e não numa casa, isso faz-me lembrar um texto que a Inspetora escreveu no outro dia:
"As pessoas não pensam na vida como deviam, se soubessem o quanto ela é breve nem se atreveriam a reclamar. Pensem bem, demoramos 9 meses a nascer, surgimos da união de duas pessoas, mas quantos de nós podem ter a certeza de que não vão acabar os seus dias sozinhos? Provavelmente vamos morrer num dia que começou por ser absolutamente normal, um dia em que acordamos com o despertador a tocar à hora do costume, comemos os cereais que comemos todos os dias ao pequeno-almoço, seguimos o mesmo caminho de todos os dias para trabalho, e por ai adiante. O que é que mudou nesse dia? Nesse dia morremos, e o que é que fizemos de diferente? Nada. O dia da nossa morte não é especial, é apenas o dia em que destino teve um plano diferente para nós."

Sei que este capitulo é um pouco lamechas, mas achei que deveria explicar um pouco melhor a relação dos dois irmãos e a maneira como ambos lidaram com a morte do pai.

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15 comentários:

  1. Mais um capitulo que gostei:))

    Hoje:-Inconsciência Desmedida

    Bjos
    Votos de bom sábado e um óptimo fim-de-semana.

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  2. Esta contextualização fez todo o sentido! Gostei bastante capítulo, precisamente, pelo lado mais sentimental :)

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    Respostas
    1. Estava com medo que o capitulo não se enquadrasse com os restantes!

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  3. Para quem escreve pouco nos comentários escreves muito nas tuas histórias 😁😂🤣
    XOXO

    marisasclosetblog.com

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