sábado, 15 de junho de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (40º Capítulo)

A semana passada algumas pessoas disseram que o final da história do Rodrigo era previsível, devo confessar que quando comecei a escrever com o Rodrigo como narrador uma das minhas maiores dificuldades foi fazer algo mais simples. A Eduarda era uma personagem complexa e queria que o Rodrigo fosse algo absolutamente banal, por isso acho que apesar de ele não ter sido "bem recebido" pelos leitores consegui realizar aquilo a que me propus: criar uma personagem completamente banal.
"Não é preciso ser-se um génio para perceber que alguma coisa correu mal.
Também não é preciso ser-se um génio para saber que a Joana e o Rodrigo andavam juntos. E também não é preciso ser-se um génio para saber que que as coisas entre eles acabaram!
- Tens a certeza que ficas bem? - Pergunto enquanto ajudo a Joana a tirar as malas da mala do meu carro.
- Sim, preciso de fazer isto, além disso vai ser bom para a minha carreira. - Responde ela olhando-me fixamente.
- Voltas? - Tenho a certeza que ela vai voltar, mas não consigo deixar de ter medo que uma das minhas melhores amigas desapareça para sempre da minha vida.
- Claro que volto. - Diz ela sorrindo, confesso que já não a vir sorrir à algum tempo.
- Se precisares de alguma coisa já sabes que eu e os outros todos estamos aqui. 
- Eu sei que sim! 
Ela abraça-me e aperta-me com força. E depois afasta-se em direção à entrada do aeroporto.
Confesso que fiquei admirada de ela me pedir a mim para a trazer. Afinal de contas eu sou apenas a Carlota, sou a mais nova do grupo, a mais ingénua do grupo e eles nunca vão deixar de me ver dessa forma. Mas a verdade é que sou muito mais do que isso.
Atendo o meu telemóvel que está a tocar no bolso, o numero não está identificado, nem é preciso, já o conheço de memória.
- Estou? - Do outro lado o meu chefe fala sem se calar, e isso é um insulto à minha inteligência. - Compreendo, mas está tudo sobre controlo mais um mês e provavelmente já temos a informação que precisamos. Agora se não se importa vou aproveitar a minha folga porque trabalhar num supermercado é cansativo e eu acabei de arranjar o passatempo perfeito.
Desligo o telemóvel e devolvo-o ao bolso. Dou uma breve vista de olhos ao carro que está mal estacionado e dou uma corrida à papelaria junto à entrada.
- Um Malboro, e a revista "Mulher Atual" - Peço esticando já o dinheiro, pego nas minhas compras e afasto-me a correr para o carro.
Acendo o cigarro e pergunto-me como é que nunca ninguém descobriu? As pessoas habituaram-se tanto a ver-me de uma determinada maneira que não prestam atenção as detalhes... Acho incrível que as pessoas só vejam aquilo que querem ver. 
Pego na revista, na capa em letras bem grandes surge uma noticia que vai abalar o mundo de muitas mulheres, e o meu também:
"Conheçam a Inspetora, a mulher que veio para dar guerra à Agente"
Gostava de saber como é que a Agente vai reagir a isto. Mas eu já sei, afinal de contas sei tudo sobre ela. Abro na página trinta e cinco e vejo que o primeiro artigo é sobre o facto de as mulheres procurarem modelos para seguir. Refere a Agente como um desses modelos, mas não ataca, muito contrario, até a defende como sendo e passo a citar "uma mulher de ideias concretas, e ideais que devem seguidos e vistos como uma inspiração." Gosto bastante desta Inspetora!

Nessa noite no café:

- Já viram a bomba que anda a circular! - Quase grito, tenho que parecer estúpida para corresponder às expectativas dos meus amigos.
- Credo mulher! - Diz o meu irmão fitando-me. - O que é que se passa?
- A Agente tem uma rival! - Atiro dramaticamente a revista para cima da mesa.
- Já ouvi dizer, mas ainda não li. - Diz a Eduarda que parece nunca querer saber da Agente. - É assim tão boa como a Agente ou é só uma imitadora? 
- Oh não! - Digo eu. - Eu já li e a Inspetora também é boa, pelo menos teve uma boa entrada no mercado.
- Inspetora??? Que raio de nome! - Ataca a Eduarda rindo. 
- Deixem-me ler! - Pede a Ana.
Todos ficamos em silêncio para ouvir o que esta nova personagem tem a dizer, e a cada paragrafo, algumas cabeças acenam em concordância.
Se a reação das outras pessoas for igual à desta mesa, a Agente vai ter mesmo que se preocupar com esta Inspetora."

Espero que tenham gostado deste primeiro episódio com a Carlota como narradora, deixem o vosso feedback nos comentários.

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12 comentários:

  1. Se estivermos atentos, as pessoas são sempre muito mais do que aquilo que observamos. Acho que vou gostar da Carlota como narradora :)

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  2. Bom, eu gostei. Surpreendeu-me. E penso que vai continuar a surpreender.
    Abraço e bom domingo

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  3. Prendeu-me,vou esperar pelos restantes.
    Beijinho

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  4. Deixaste muitas pontas soltas neste episódio, fiquei curiosa.

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  5. Muito bom todo o capítulo, Isy! Mas a frase que me ficou, principalmente, na memória foi esta: "Acho incrível que as pessoas só vejam aquilo que querem ver. ". Interessantíssima! Boa semana, amiga.

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