sábado, 18 de maio de 2019

Tinha tudo para correr mal (36º Capítulo)

A parte desta história contada pelo Rodrigo está prestes a acabar, como tal tenho um pequeno desafio para vocês querem que volte a ser a Eduarda a contar a história, ou gostariam de ver a Carlota como narradora? Fico à espera das vossas respostas nos comentários.
"Acho sempre estranho quando este grupo de amigos decide convocar reuniões de emergência. Quer dizer, não foi bem de emergência, mas mesmo assim, é estranho pois existe sempre muito secretismo sobre o motivo desta reuniões, e eu nunca sei quando é que é uma intervenção para me chamarem à razão por algum motivo... Mas que motivos teriam eles para me chamar à razão?
Hipótese A: A quantidade mulheres com que eu durmo... Ou dormia até andar com a Joana
Hipótese B: A minha relação com a Joana
Hipótese C: O facto de eu ser péssimo condutor e de um dia vir a ter um acidente
Hipótese D: A bebedeira que apanhei em mil, novecentos e troca o passo.
Hipótese E:...
Bem já percebi que existem muitos motivos para esta reunião ser por minha causa, mas tasse bem, vou agir com naturalidade e tentar passar despercebido.
Assim que chego a casa do Artur e me sento no sofá percebo que a tropa topa já cá está.
Hipótese D: Falar sobre a minha constante dificuldade em chegar a horas...
- Já estamos todos podemos começar. - Diz a Carlota sentando-se.
- Falta a Eduarda. - Diz a Ana. Nem tinha reparado que a Rainha das Trevas não estava presente.
- E não vai estar... É sobre ela que eu quero falar. - Explica a Carlota. 
Sinto um estranho alivio, mais uma vez estou safo, não é sobre os meus problemas que eles vão falar, mas para falarem da Edu, sem que ela esteja presente a coisa é grave.
- De certeza que não sou única a morrer de curiosidade sobre a porta misteriosa que ela tem em casa...
Olha! Parecemos todos o Noddy a abanar a cabeça em concordância.
- Mas não se trata só de curiosidade, quer dizer, porque motivos teria ela uma porta fechada, trancada, com acesso vedado...
- Já percebemos! - Interrompe o Artur. - Continua.
- Ela pode ter algum segredo escondido...
- Isso tem de certeza. - Concorda o Ivo.
- Mas pode ser grave, acho que deveríamos ver... 
- Primeiro, não me parece correto invadir a privacidade da Edu, contudo devo concordar que é muito estranho e suspeito. - Diz a Joana daquela maneira ponderada que só ela sabe usar tão bem.
- Pode ser alguma coisa grave, algo que ela tenha receio de nos contar por medo ou vergonha... - Diz o Artur. - Não levem a mal, mas acho estranho que nenhum de nós saiba o que está atrás da porta, nunca tivemos segredos entre nós...
- Mas pelo que eu percebi este segredo sempre existiu... - Digo eu.
- Sim, esta porta existe desde que ela começou a trabalhar e comprou a casa, até então nunca tivemos uma situação destas. - Diz a Ana pensativa.
- E qual era o teu plano? - Pergunta o Ivo fitando a Carlota.
- O meu aniversário! 
- Se ela não abriu a porta como prenda de casamento, não acredito que vá abrir só porque fazes anos... - Brinca a Ana.
- Não me fiz entender. - Começa a Carlota calmamente - Vamos usar o meu aniversário como isco. A ideia é ela organizar a minha festa em casa dela, e depois arranjamos maneira de a tirar de casa mas ficarmos lá nós e tentamos abrir a porta.
- E porque raio é que ela haveria de sair da própria casa, quando já te está a fazer o favor de "emprestar" a casa para uma festa? - Pergunta o Artur.
Para nossa surpresa a Carlota tira da mala uma folha de papel completamente rabiscada e com alguns desenhos esquisitos na margem. Estende o papel sobre a mesa de jantar e todos nos levantamos para nos debruçarmos sobre ele.
- Então o plano é o seguinte: Eu vou dizer que por causa do que aconteceu ao meu a minha mãe não está com vontade de festejar lá em casa. A Ana e o Ivo dizem que com esta história do casamento, tem a casa em remodelação e afins, Artur a tua casa vai estar a ser pintada e não se pode lá estar por causa do cheiro, dois dias antes vais dormir para minha casa, para validar a história...
- Por acaso ando a pensar pintar a casa. - Repara o Artur.
- Eu sei. - Responde cautelosamente a Carlota. - Rodrigo a tua casa, como sempre está desarrumada, e a tua cozinha não tem os equipamentos necessários para se organizar um mega jantar.
E também é verdade, quase nunca uso a cozinha.
- E que desculpa vais dar para a minha casa? - Pergunta a Joana rindo deste plano.
- Não acredito que se chegue sequer a esse ponto, mas pelo sim, pelo não, não vais estar presente no momento da nossa conversa, assim ela vai ter que se oferecer, porque nunca na vida ela vai arrastar as coisas para uma pessoa que não está presente.
Bem visto, começo a achar que a miúda é um génio.
- Assim sendo temos a casa à nossa disponibilidade quando estivermos lá, o Artur vai ter que pedir à Eduarda que vá com ele comprar a minha prenda...
- E porque é que tenho que ser eu? - Pergunta o Artur.
- Não leves a mal, mas de todos nós és o que tens menos skills para abrir uma porta. - Responde a irmã. - Além disso és o único com uma desculpa plausível, para te "esqueceres" - faz o gesto das aspas com os dedos no ar - da minha prenda. Isto tudo que aconteceu, as obras em casa... Bem tu sabes o que quero dizer.
- Faz sentido. - Disse a Joana sentando-se. - Mas e depois, como é que tencionas abrir a porta?
-Já andei a praticar e acho que consigo abrir a porta com dois ganchos do cabelo... - Confessa a Carlota.
- Andaste a praticar a arte de abrir portas fechadas? - Pergunta o Ivo genuinamente surpreendido. 
- Claro, ou achas que ia surgir com um plano antes de saber se conseguia ou não? Bem de qualquer forma, existe a possibilidade de não conseguir, por isso é que preciso que os restantes fiquem comigo...
- E eu a pensar que só querias companhia. - Digo eu confuso.
- O Ivo e a Ana vão procurar a chave na cozinha e na entrada da casa, a Joana procura no quarto e o Rodrigo na sala, a chave não pode estar longe...
- Isso já é invasão a mais... - Diz a Ana.
- Ai é que te enganas, ou julgas que vos separei especificamente para estas divisões por acaso?
Acho que neste momento da conversa não sou só eu que estou chocado com o plano da Carlota.
- Ana e Ivo, vocês gostam de cozinhar, por isso faz sentido que estejam na cozinha, quando acidentalmente reparam que "ups, onde está o cebolinho"?
- A Eduarda não usa cebolinho... - Diz o Artur calmamente.
- Exatamente, temos que procurar algo que não existe senão a ideia era estúpida.  - Refuta a Carlota. - O Rodrigo vai procurar na sala o antigo baralho de cartas para jogarmos enquanto esperamos, mas "ups, o baralho nunca está na sala", e a Joana vai procurar no quarto da Edu, porque "ups, estavas a ajudar na cozinha quando te sujas-te toda e foste ao quarto dela procurar uma t-shirt velha para vestires".
- Começo a achar que a minha irmã é um génio. 
Sou obrigado a concordar. Nunca pensei que a Carlota fosse capaz de pensar mais além de gajos bons, revistas cor-de-rosa e códigos de barra."

Depois disto, vocês decidem, se a história seguir com a Eduarda como narradora, vai ter um rumo, se a história seguir com a Carlota, vai ter outro rumo. Façam as vossas apostas.




2ª Parte: 


Acompanhem as novidades através do Facebook | Instagram | Twitter |

12 comentários:

  1. Gostei imenso deste capítulo e estou curiosa em saber se irá resultar :)
    Quanto ao narrador, quero a Eduarda de volta sff :)

    ResponderEliminar
  2. A Carlota pensou em todos os detalhes :o
    Acho que seria interessante tê-la como narradora!

    ResponderEliminar
  3. Acho que devemos dar uma hipótese à Carlota!... :-)
    Já estou morta de curiosidade... pelo que se poderá esconder atrás dessa porta... mais um capítulo que se leu muitíssimo bem!...
    Beijinhos! Bom domingo!
    Ana

    ResponderEliminar
  4. Entre o Rodrigo e a Eduarda, eu gostei mais da Eduarda. Mas agora gostaria mais de ver a Carlota como narradora. Devemos conhecer os diversos amigos. Para entendermos melhor essa amizade tão longa e rara. Porque é fácil duas pessoas manterem uma amizade por toda a vida, seis é bem mais difícil.
    Abraço

    ResponderEliminar

loading...