sábado, 1 de junho de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (38º Capítulo)

Parece que consegui deixar toda a gente curiosa em relação à misteriosa porta, mas para já vão ter que esperar, porque existem muitos acontecimentos a decorrer. Talvez um dia eu vos conte em segredo o que esconde a tão misteriosa porta.
"Está tudo a andar à roda... Não consigo acreditar no que acabei de ouvir!
Não pode ser verdade! Porque é que isto haveria de me acontecer? Isto não são coisas que acontecem só aos outros?
Sai do consultório médico ainda confuso com o que acabara de ouvir? Como é que era possível? 
Mas eu sabia a resposta!

Toquei à campainha, uma, duas, três vezes. Só passou um minuto desde que estacionei a mota em frente da casa dela, e eu sei que ela está em casa, porque o Volvo está lá fora.
- Calma! - Grita ela abrindo a porta. - O que é que fazes aqui?
Ela está linda como sempre, os cabelos ruivos a caírem em cascatas pelos ombros, uma t-shirt e uns calções. Provavelmente estava sentada no sofá a ler um livro ou a ver algum episódio de "Two Broke Grils". 
- Rodrigo, está tudo bem? - Pergunta ela alarmada.
Não sei qual é o meu aspeto neste momento, mas imagino que não seja o melhor.
Quero-lhe responder mas não consigo. Só lhe quero gritar! Quero que ela saiba que me vai matar! Que me arruinou. Quero que ela saiba que eu a odeio!
De repente estou a chorar.
- Por favor Rodrigo, diz-me o que se passa!
As palavras formam um nó na garganta, não consigo falar. Estendo-lhe o maldito envelope que levei ao médico, era suposto serem umas análises de rotina, mas estas foram as análises que mudaram a minha vida. Um burro como eu não saberia interpretar aqueles números e aquelas informações, mas ela é inteligente e trabalha na área por isso ela vai ver o mesmo que o meu médico viu.
Vejo as mãos da Joana a tremer enquanto lê os resultados, e eu não consigo parar de chorar.
- Rodrigo... - Diz ela com aquela calma que eu sei que é forçada, ela está a manter a postura e a calma, e está a fazer um esforço para isso. - Rodrigo, tu tens SIDA...
- Eu sei. - Respondo. - Acabei de vir do médico.
- Lamento imenso, mas isto não é fim do mundo, existem tratamentos, ensaios experimentais... - Diz ela. Mas eu não suporto a sua voz, odeio-a.
- Foste tu! Foste tu que me passaste esta maldita doença, sua... sua... - Quero chamar-lhe o que toda a gente sabe que ela é, quero ser rude, quero magoa-la. - Puta!
Ela ficou surpreendida, as minhas palavras feriram-na em cheio. Quero magoa-la como ela me magoou.
- De certeza que foste tu, afinal eras tu que vendias o corpo para pagar esta casa, o teu carro, os teus estudos... De certeza que dormias com qualquer um... De certeza que tinhas clientes especiais a quem fazias favores... 
- Cala-te! - Grita ela.
- Foste tu que me passas-te esta maldita doença, só podes ter sido tu, e eu odeio-te! 
Não sei como, mas consegui dizer-lhe, vejo-a a chorar mas isso não me incomoda nada. Fito-a com desprezo, como a megera que ela é. 
Nisto, ela dá-me um estalo na cara, fita-me com uma força que nem eu sabia que ela tinha, uma coragem que a terá movido durante anos.
- Não... fui... eu! - E são as ultimas palavras que lhe saíram da sua boca entre as lágrimas.
- Mentirosa! - Grito.
- Não fui eu! Não fui eu! Não fui eu! - Grita ela desesperada, e de repente percebo que ela tem a certeza do que está a dizer.
Ela afasta-se em direção à sala em passo rápido, não a quero seguir! Não a quero amar! Mas antes que eu tivesse tempo de pensar no que fazer vejo-a regressar um um envelope igual ao meu.
Porque é que ela fez análises?
- Eu não tenho SIDA, fiz estas análises à uns dias! - Explica ela controlando-se para não chorar - Só houve uma coisa que trocamos entre nós naquela noite em que tivemos sexo desprotegido...
O que é que ela está a dizer? Como assim não foi ela que me passou a maldita doença?
- Rodrigo, eu estou grávida! 
E pela segunda vez hoje o meu mundo desabou. Não posso ser pai! Não posso... Nunca... 
- Recuso-me a ser pai dessa criança.
- Então sai por essa porta! De qualquer maneira já deixas-te tudo muito claro!"





2ª Parte: 




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5 comentários:

  1. Um episódio muito intenso. Se a análise do Rodrigo não foi trocada, ele precisa rever a sua situação. O amor que tinha pela Joana não pode ter-se transformado assim em ódio, tanto mais que ela não pode ter-lhe passado algo que não tem. Ambos precisam rever a situação. Ela também não pode levar a sério a atitude dele. Uma notícia dessas deixa qualquer um maluco.
    Aguardo o próximo episódio.
    Abraço

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