sábado, 12 de outubro de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (54º Capítulo)

O capitulo da semana passada, foi uma boa maneira de relaxar, agora que eu decidi levantar um pouco mais o véu sobre alguns dos mistérios que tem vindo a surgir das história do Tinha Tudo Para Correr Mal. Contudo não se iludam, ainda vem por ai muitas aventuras, afinal estamos a caminhar para o Halloween, para o Natal e para o casamento da Ana e do Ivo.
"Entro assim que a Eduarda me abre a porta de sua casa. Existe sempre um estranho conforto de vir até aqui. Cresci ao lado da Eduarda e durante muitos anos ela foi o meu modelo, e talvez por isso me sinta em casa na casa dela. Ela foi a irmã mais velha que não tive.
- Vais ficar ai a sonhar à porta? - Pergunta ela com o seu sarcasmo habitual.
- Estava a pensar quando era mais nova e vinha para aqui dormir...
- Ainda tenho teu saco cama guardado, se quiseres podes passar aqui a noite. 
Ela está a sorrir, sei que serei sempre bem-vinda aqui. Ou seria, não sei como é que ela vai reagir à revelação que tenho para lhe fazer.
Seja como for decido arrastar os pés até à sala dela, e fito a porta que está sempre fechada. A misteriosa porta que nos mexe com os nervos desde sempre.
- Pois bem, o que é que era assim tão importante que não podia esperar pela reunião de logo à noite? - Pergunta ela sentando-se na mesa com a sua chávena de café e uma revista.
É a revista onde as crónicas da agente são publicadas, nem fazia ideia que ela as lia, sempre pensei que essa personagem não fazia o seu género.
- Tenho que te confessar uma coisa. - Digo, mas de repente tenho a garganta seca.
A Eduarda continua calma, provavelmente porque imagina que qualquer revelação que possa fazer, não a irá surpreender. Ela acende um cigarro e dou por mim a pegar no maço dele no seu isqueiro a acender um para mim.
- Tu fumas??? - Pergunta ela admirada.
Afinal já a consegui surpreender e ainda nem comecei a falar.
- Sim. Mas muito pouco... - Vou explicando enquanto vou tropeçando nas palavras. - Só quando estou nervosa... Mas não era isso que te queria dizer.
Digo enquanto mastigo o cigarro e sopro as palavras... Merda! Quero dizer enquanto sopro o fumo do tabaco e mastigo as palavras. Isto não está a começar nada bem.
- Começo a ficar preocupada Carlota, o que é que se passa? - Diz a Eduarda que finalmente me dedicou toda a sua atenção.
- Sabes no dia do meu aniversário? Nós fizemos a minha festa aqui em tua casa... - Comecei.
- Sim, não precisas de me agradecer quase meio ano depois... - Brinca a Eduarda.
- Nós só organizamos a festa aqui porque queríamos tentar abrir a misteriosa porta... - Confesso apontando para a porta.
- Eu sei. - Responde ela calmamente. - Vocês são péssimos mentirosos, percebi logo a vossa ideia, por isso é que ninguém abriu a porta!
- O problema é esse. - Respondo com o coração a imitar um cavalo de corrida. - Eles não abriram a porta... Mas eu sim!
Ela está em choque a olhar para mim. Não consigo perceber se ela está chateada, magoada ou desiludida.
- Porquê? 
- Porque queria provar a mim mesma, que conseguia ser, mais inteligente do que tu! - Acabei por dizer o que realmente me incomodava.
- Mas que raio Carlota! Isso é invasão de privacidade, não tinhas esse direito! - Diz a Eduarda e pelo seu tom de voz percebo que está magoada comigo.
- Eu disse que abri a porta... Não disse que vi o que estava lá dentro. - Explico, vejo os olhos delas ainda mais abertos, está em choque, pela primeira vez vejo a Eduarda em choque. Fiz algo que ela não previu e apanhei-a de surpresa.
- Não viste? 
- Não o meu objetivo era provar que a porta não era tão secreta e que não eras mais inteligente do que eu, não era invadir a tua privacidade. Abri e fechei a porta. Tão simples quanto isso.
- Mas se não querias ver o que estava lá dentro, porque é que o fizeste?
Sentei-me em frente a ela na mesa e expliquei-lhe tudo. Comecei pelo facto de sempre me sentir inferior a ela e de sempre ter desejado ser como ela, até ao facto de eu ser um génio, mesmo comparada com ela. De como queria provar a mim mesma que poderia estar um passo à frente de todos. Expliquei como isso me fazia sentir e quando acabei ela estava atónita a olhar para mim. Penso que a nossa amizade acabou aqui e que ela me vai expulsar de sua casa.
Em vez disso ela solta um suspiro de alivio e sorri antes de acender mais um cigarro.
- Finalmente fez-se luz!!! - Exclama rindo.
Agora sou eu que estou atónita. Não faço ideia do que se está passar aqui.
- Eu sabia! Eu sabia que havia alguma coisa! - Exclama ela rindo. 
- Por favor explica-te... - Peço com medo.
- Eu sabia que havia alguma coisa. Sabes aquele sexto sentido que nos diz que se passa alguma coisa, mas que não sabemos o que é? Eu tinha esse sexto sentido contigo. 
- Estou confusa?
- Não podia imaginar que era um génio, mas sabia que não eras tão burrinha como querias fazer parecer... Por vezes eras mais inteligente do que todos nós, mas ninguém queria ver e aceitar isso, por isso ninguém pensava no assunto.
- Desculpa... Não te queria enganar.
- Não posso dizer que esteja feliz com que fizeste nem com o facto de me teres mentido, mas compreendo o motivo de o teres feito, existe uma linha muito ténue entre aquilo que devemos fazer e aquilo que queremos fazer só porque o podemos fazer. 
Suspiro de alivio, mas nesse momento percebo que ela não acabou.
- O que mais me magoou foi não confiares em mim, e quereres ser como eu de uma forma tão intensa!
- Desculpa... Mas sempre foste o mais próximo que eu tive de modelo a seguir...
- Eu sei isso, sempre soube, e entendo. O que me irrita é que querias tanto ser como eu que acabaste por não aprender nada e fizeste um péssimo trabalho!
- Como assim? - Pergunto já com lágrimas a escorrerem-me pela cara.
- O teu erro, foi o mais básico de sempre. - Ela solta um sorriso. - Querias tanto ser como eu, que te esqueceste do fundamental sobre a minha pessoa... - Olho para ela confusa e aguardo a sua explicação. - Eu não quero ser como ninguém!
Finalmente percebo onde ela quer chegar. Eu não tenho que lhe provar nada, nem provar nada a mim mesma, não tenho que me comparar à minha melhor amiga, porque apesar de génios, somos completamente diferentes. Ela é fria, eu sou quente, ela é café eu sou desafinado... Somos iguais em pólos opostos. 
- Bem, agora que já percebeste a mensagem, anda dai! - Diz a Eduarda levantando-se e pagando numa chave. - Mas tens que me prometer que vais guardar segredo!
O meu coração está a bater ainda mais forte. Será que aquela chave é mesmo o que estou a pensar?
A Eduarda aproxima-se calmamente da porta e eu acompanho-a. A porta abre calmamente e ambas entramos na escura e misteriosa divisão. Está escuro e não faço ideia do que pode estar aqui. Tento pensar nas probabilidades do que poderei encontrar, mas são tantas que nem eu consigo calcular. 
Então de repente a luz acende e eu fico chocada. De todas as hipóteses que se passaram na minha mente eis que esta estava longe de ser uma delas!"

Espero que tenham gostado. Como podem afinal uma daquelas teorias dos leitores de Tinha Tudo Para Correr Mal era verdadeira, afinal alguém conseguiu abrir a porta misteriosa.

 1ª Parte - Eduarda
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13 comentários:

  1. E o mistério continua instigante
    Sempre muito bom ler os teus escritos, Teresa
    Beijinhos e um bom final de semana

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  2. Mas nós continuamos na mesmo, o que raio estará atrás daquela porta?!

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  3. Passei para te desejar um bom fim de semana, não tenho acompanhado esta tua história!!
    xoxo

    marisasclosetblog.com

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  4. Bom fim de semana, Teresa :)
    Beijinhos

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  5. Querem ver que se trata de uma sala vazia? Ou de um quarto de bebé? Bom espero que o mistério seja desvendado ainda neste século :)))
    Abraço e bom domingo

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    Respostas
    1. Ah ah ah confesso que a divisão vazia já me tinha passado pela cabeça, mas um quarto de bebé.... loool

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  6. Ai, que ansiedade! Já não aguento não saber o que se esconde atrás dessa porta ahahah

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