sábado, 28 de setembro de 2019

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (52º Capítulo)

Estou a adorar escrever esta história do ponto de vista da Carlota, misteriosa, mas ao mesmo tempo ponderada, existe uma certa magia nesta personagem que me deixa nostálgica com a possibilidade de um dia deixar de escrever a história do ponto de vista dela. 
Mas pelas minhas contas ainda falta muito para esse dia, e enquanto vocês estiverem a gostar vou continuar com ela, apesar de já saber mais ou menos o que pretendo fazer com a personagem (pelo menos em algumas ocasiões).
"O jantar com o chefe do Dinis até estava correr bem, mas por algum motivo, sentia-o tenso sentado ao meu lado. 
Quer dizer, não o posso criticar, se fosse o meu chefe sentado aqui ao meu lado também não ia estar na melhor das disposições, ia estar sempre com receio de falar de mais, de beber de mais, de fazer algo que ele não considerasse apropriado. 
Felizmente a Eduarda está a ser um bom condutor de conversa, e o meu irmão também está a ajudar bastante fazendo algumas perguntas gerais que afastam a conversa de qualquer tema relacionado com o trabalho.
No final do jantar eles decidem ir até ao bar, mas como me parece que o Dinis não está muito satisfeito com a ideia digo que quero visitar a vinha e ver o céu estrelado em campo aberto, ele imediatamente percebe a deixa e oferece-se para vir comigo deixando os outros no bar.
- Obrigada, és um anjo. - Agradece ele já cá fora.
- Não tens que me agradecer, mas era bom se arranjasses alguma coisa para a gente se entreter... Não podemos ir já para os quartos... - Explico avançado pelo caminho de gravilha.
- A tua ideia de ver as estrelas a céu aberto parece-me bem. Afinal de contas na cidade temos tanta poluição visual com prédios e luzes que é quase impossível ver o céu e as estrelas como deve ser.
Começamos a caminhar, gosto da maneira como a conversa flui entre nós, sem preconceito, sem perguntas, sem medos. É errado da minha parte sentir-me mais confortável à beira deste quase estranho do que dos meus amigos? 
- Ficaste muito calada de repente... - Notou o Dinis fitando-me , ainda temos alguma da iluminação do hotel e da quinta atrás de nós, por isso consigo ver bem  aquele rosto bonito a fitar-me com curiosidade.
- Pensamentos... Apenas isso...
- Sobre aquele teu misterioso segredo? Sabes que mais tarde ou mais cedo alguém vai descobrir... Os segredos tem o estranho defeito de nunca serem segredos por muito tempo.
Tenho que me rir desta verdade irrefutável.
- Era nisso mesmo que estava a pensar. Mas sabes é complicado.
- Queres falar sobre isso... Podemos falar dos teus receios sem me contares o segredo.
Creio que posso falar, mas será que devo?
- Bem... - Começo - O problema não é o segredo em si. Não é nada de tão escandaloso que ninguém possa saber, o problema é como as pessoas me vão ver a mim. Sempre fui a mais nova do grupo, eles sempre me viram como a menina ingénua que precisa de proteção. E acredita que preciso de ajuda e proteção muitas vezes. Mas enquanto todos repararam que a Eduarda se tornou numa adulta séria e sarcástica, e a Ana se tornou numa mulher perfeita, eu sou ainda a pequena Carlota.
- Pois, para eles serás sempre a pequena Carlota.
- Exatamente. Como é que eles vão olhar para mim quando perceberem que eu já não sou pequena? Que eu sou uma pessoa como eles? Pior que isso, eu sou uma pessoa melhor que eles!
- Agora perdi-me. - Diz ele olhando-me confuso.
Não devia ter dito aquilo! Aliás eu nem devia ter começado, mas está a ser tão libertador falar...
- Já deves ter reparado que a maioria dos meus amigos são pessoas inteligentes, muitos deles são verdadeiros especialistas em determinadas áreas. O QI deles estão classificados como médios altos, tirando a Eduarda que desde miúda foi rotulada de superdotada, mas isso é visível... 
- E justifica muitas coisas que ela faz e diz! - Acrescentou o Dinis rindo. - Mas o que é que isso tem haver contigo? Não me digas que te sentes inferior a eles...
Desato a rir. E não é só porque estou nervosa e porque nunca contei isto a ninguém. Esta afirmação dele só vem ao encontro da minha teoria de que os meus amigos não iam aceitar a verdade.
- Inferior? Dinis, o meu QI é de 180. Sou considerada um génio! 
A revelação deve ter sido tão chocante que ele está a olhar para mim com cara de parvo. Aliás muito parvo, parece mesmo um idiota.
- WOW! Agora tenho uma série de perguntas que te quero fazer! - Diz ele ainda a rir.
- Podes começar...
- Porque é que trabalhas num supermercado? Não devias estar na NASA ou assim...
- Não te posso responder a isso.
- Porque é que não és como a Eduarda? Quer dizer, ela é inteligente e mostra que é inteligente, mas tu... Porque é que escondes?
- A Eduarda foi considerada uma criança superdotada muito cedo. Teve uma professora que detetou o potencial dela cedo, e com a ajuda e psicólogos e afins ela conseguiu crescer com a sua super inteligência e aprendeu a geri-la. Eu só soube que era assim há três anos, na faculdade, porque um professor sugeriu-me fazer uns testes para uma empresa, e foi lá que soube que afinal era um génio. Sempre achei que era apenas inteligente.
- Faculdade? Da maneira que todos falam pensei sempre que nunca tinhas ido para a faculdade...
- Quando acabei o 12º ano não me sentia tentada a estudar, porque não gostava da escola nem das coisas que por lá aprendia. Porém depois de um ano a trabalhar percebi que queria adquirir mais conhecimentos e inscrevi-me na faculdade. 
- Qual foi o teu curso?
- Psicologia. 
- Irónico que uma mente brilhante estude as outras mentes.- Brinca ele ficando de frente para mim, não parece chocado com o que acabei de dizer, mas sim orgulhoso. - Cada vez me surpreendes mais...
- Isso é bom ou mau?
- Para génio não és muito boa a perceber as coisas óbvias pois não?
Olho para ele de forma interrogativa. Onde é que ele quer chegar?
- Caramba Carlota, eu estou cada vez mais apaixonado por ti!
A sério? Já sabia que havia uma faísca, mas dai a uma declaração destas... O que é suposto eu fazer agora?
Não pensei mais, beijei-o. Se eu não aceitasse neste momento que este homem estava apaixonado por mim, provavelmente nunca mais o iria fazer."

 1ª Parte - Eduarda
1º Capítulo | 2º Capítulo | 3º Capítulo | 4º Capítulo | 5º Capítulo | 6º Capítulo | 7º Capítulo | 8º Capítulo | 9º Capítulo | 10º Capítulo | 11º Capítulo | 12º Capítulo13º Capítulo | 14º Capítulo | 15º Capítulo | 16º Capítulo | 17º Capítulo18º Capítulo | 19º Capítulo | 20º Capítulo | 21º Capítulo | 22º Capítulo | 23º Capítulo | 24º Capítulo | 25º Capítulo | 26º Capítulo | 27º Capítulo

2ª Parte - Rodrigo
28º Capítulo | 29º Capítulo | 30º Capítulo | 31º Capítulo | 32º Capítulo | 33º Capítulo | 34º Capítulo | 35º Capítulo | 36º Capítulo | 37º Capítulo | 38º Capítulo | 39º Capítulo 

3ª Parte - Carlota
40º Capítulo | 41º Capítulo | 42º Capítulo | 43º Capítulo | 44º Capítulo | 45º Capítulo | 46º Capítulo | 47º Capítulo | 48º Capítulo | 49º Capítulo | 50º Capítulo | 51º Capítulo |

Espero que tenham gostado mais deste capítulo, agora vamos ver o que vai acontecer neste tão desejado fim de semana.

Acompanhem as novidades através do Facebook | Instagram | Twitter |

12 comentários:

  1. É caso para dizer FINALMENTE!
    Só uma nota, não leves a mal, em português de Portugal o termo correto é "sobredotado/a", a palavra que usaste "superdotado/a" é correta em português mas do Brasil. Por cá as pessoas são sobredotadas :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pela observação, confesso que na altura fiquei com essa dúvida. Irei corrigir!

      Eliminar
  2. Yeeeeeah! Segredo desvendado. E, acredito, menos um peso para a Carlota, ainda que se mantenha em anonimato, digamos assim, para o resto do grupo.
    Nunca chegaria a este desenrolar da história, mas adorei

    ResponderEliminar
  3. Omg... I like the kiss in the end!

    www.fashionradi.com

    ResponderEliminar
  4. Gostei de ler.
    Hoje em dia os psicólogos e psiquiatras já não dão tanta importância ao QI de uma pessoa como antigamente. Eles começaram a notar que pessoas com um QI normal ou até um pouco abaixo do normal, conseguiam ter muito sucesso pois eram pessoas disciplinadas, carismáticas e persistentes. E hoje sabe-se que todos temos vários tipos de inteligência, mais ou menos desenvolvidos, divididos assim:
    Inteligência Linguística, - facilidade de se expressarem.
    Inteligência Lógica - grande memória e talento par a matemática.
    Inteligência Motora - grande talento para a dança e desportos.
    Inteligência Espacial ou geométrica - grande capacidade para o desenho, são regra geral pessoas sensíveis e muito criativas, quase sempre virados para as artes.
    Inteligência Musical - grande talento para a música, detetar sons sons e notas musicais. Algumas pessoas têm esta capacidade tão desenvolvida que aprendem a tocar sozinhos e desde bem pequenos.
    Inteligência interpessoal -Capacidade para comunicar com as pessoas.
    Inteligência Intrapessoal - a capacidade de se conhecer a si próprio.
    Inteligência prática - capacidade de aprender com experiência de vida.
    Inteligência Académica - a capacidade de aprendizagem e de ensinamento.
    Inteligência emocional - a capacidade de gerir as suas emoções, o autocontrole e a empatia.
    Sabia que já há psicólogos a considerar que esta última pode ser a mais importante? De facto uma pessoa pode ser muito inteligente, mas se não souber gerir as suas emoções e não tiver controlo sobre os seus impulsos decerto vai acabar mal.
    Abraço e uma boa semana

    ResponderEliminar

Instragam