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terça-feira, 21 de maio de 2019

Uma questão de autoestima

maio 21, 2019 26 Comments
Autoestima... Amor-próprio... Dignidade...
Existem muitos sinónimos, mas nem sempre é, fácil de encontrar dentro de nós, alguma coisa que nos faça descobrir o verdadeiro sentido dessas palavras.
Como já vos tinha dito, quando engordei daquela forma doentia e exagerada, uma parte de mim perdia um pouco de autoestima por cada quilo que ganhava. Vivia numa balança metafórica entre o peso e a minha dignidade. 
Como vos disse cheguei ao ponto de me magoar, ou de ter vergonha de sair de casa, e foi neste clímax que eu percebi que já não era a pessoa que sempre fui, e não me refiro ao aspeto físico. Por dentro estava partida e não sabia como começar.
Lembro-me particularmente de uma noite, me levantar da cama e ir para o closet, abri os armários e fiquei ali sentada no chão a olhar para as imúneras peças de roupa que não me serviam. Quando é que eu tinha perdido a coragem? A questão do peso não dependia só de mim, mas eu tinha que me ajudar, tinha que lutar, tinha que ganhar coragem. Nessa noite decidi que ia agarrar os pedaços partidos da minha autoestima e recomeçar.
Comecei a fazer massagens drenantes e linfáticas, comecei a fazer caminhadas, comecei com 15 minutos, por dia, depois meia hora, depois uma hora, nessa altura o divórcio abateu-se sobre mim, voltando a trazer ao de cima dos meus medos e receios em relação ao meu próprio corpo. Seria culpa minha? 
Não, a culpa não era minha, não por causa disto, se ele me tinha deixado por causa do meu peso, então ele não amava a minha pessoa. Mas eu também não amava a minha pessoa pois não?
Com coragem redobrada para me amar voltei à psicóloga, voltei às caminhadas, uma hora, duas horas, três horas, e aos poucos, o peso baixou, as calças começaram a servir... As coisas começaram a fazer sentido, e eu percebi que não precisava que o meu peso me definisse, eu tinha o meu valor só por ser quem era, era inteligente, estava a tentar salvar o meu negócio falhado, e estava à procura de um outro trabalho.
Comecei a sair e a conviver. Já não me fechava em casa com medo de me sentir mal. Sabia o que valia, independentemente de vestir o XXL e o 46.

Hoje em dia, e ainda um pouco longe do meu peso ideal, aprendi a gostar de mim, se não viver em função do meu peso, ele não me vai assustar. Tenho um certo controlo e rigor, mas aprendi a não ter medo. Faço novos amigos vou sair, tenho encontros, e percebi que apesar de ter peso a mais estou numa fase em que já socialmente aceite. Ainda luto para emagrecer mais, ainda tenho muitos cuidados, mas já não se trata de autoestima, trata-se de melhorar algo que já está bem!


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