"Já lidei com tanto bullying que tornei-me imune a ele."
Todos, gostamos de acreditar que vivemos num mundo livre e civilizado o suficiente para que as pessoas não sejam julgadas e criticadas pelas suas orientações politicas, religiosas e sexuais. Porém essa nossa esperança na humanidade acaba quando vimos que ainda existem casos de violência homofóbica em Portugal.
Para Duarte tudo começou aos 13 anos quando percebeu que era gay, aos 15 assumiu a sua orientação na escola e aos 18 os pais eram confrontados com esta realidade. Hoje em dia tudo estava bem até que no passado sábado dia 14 de julho tudo mudou para ele.
De certeza que ouviram ou leram a noticia sobre o casal gay que foi agredido à porta do Alma Shopping em Coimbra, pois bem, o Duarte era um deles contudo ele não se sentiu intimidado e afirmou mesmo que dois dias depois estava no mesmo sitio a dar um beijo ao namorado.
A verdade é que tudo começou com um beijo. Um pequeno beijo (para muitos um símbolo de paz) originou um ato de violência física e psicológica tão grande que para muitos seria o suficiente para os fazer desistir, mas para o Duarte foi apenas mais um ato de bullying com os quais aprendeu a viver desde que assumiu a sua homossexualidade.
Ontem é só Memória: Possivelmente esta foi a situação mais violenta que enfrentaste, porém aposto que já sofreste outro tipo de ataques, como é que eles são, em que é consistem e como lidas com eles?
Duarte: Sofri ataques durante parte do meu 3ª ciclo e todo o secundário. Sofri ataques, do meu pai quando descobriu que eu era homossexual e de mais alguns familiares. Já lidei com tanto bullying que tornei-me imune a ele. Desde ofensas verbais, a físicas, tudo na minha adolescência aconteceu.
Nos últimos anos e até este episódio de dia 14 de julho, nunca mais tinha sofrido de homofobia, porque aprendi a impor respeito. Não admito que me tratem de maneira diferente, seja na rua, em casa ou no trabalho.
Estamos em 2018 e quando pensamos que os atos bárbaros são coisas da idade média percebemos que afinal as maiorias continuam a esmagar a minorias. E engana-se quem pensa que são só os homens que sofrem este tipo de ataques, a ideia de que muita gente acha sensual duas mulheres juntas é um mito, e a verdade é que ao divulgar este ataque Duarte percebeu através das muitas mensagens de apoio que recebeu que muitas mulheres são alvo de criticas e ofensas tanto físicas como verbais e ainda acrescenta "concluo que a homofobia está presente contra gays e lésbicas provavelmente ao mesmo nível."
No relato que fez no seu facebook, o Duarte conta ainda que uma das acusações que lhe foi feita pela família atacante, foi que ele e o namorado eram pedófilos. Uma associação que é muitas vezes feita talvez por ignorância e desconhecimento por parte das pessoas.
Ontem é só Memória: Porque é que achas que as pessoas associam a homossexualidade à pedófila?
Duarte: Porque existe bastante, especialmente nas pessoas mais velhas, a ideia que as crianças são violadas porque os homossexuais não têm parceiros sexuais. Quando era criança lembro-me do escândalo da casa Pia, e outras noticias de menos importância. Quando um homem viola um rapaz (menor) parece que pensam que ele faz isso por ser homossexual e não por ser doente mental.
Nenhuma pessoa deve sofrer agressões apenas porque outras pessoas não gostam, existe um leque de direitos que são violados sempre que estas maiorias atacam um ser humano por causa das suas preferências. De certeza que quem partiu para a agressão (neste e noutros casos) abusou de uma liberdade que lhe é concedida pela sociedade, contudo essas pessoas passam a linha que separa a liberdade individual da liberdade coletiva e atacam o próximo só porque as suas ideias são diferentes? Afinal que é que está errado aqui, o homossexual que esta a viver em sociedade sem a prejudicar ou o heterossexual que violou os direitos do gay ao ataca-lo?
Ontem é só Memória: Que mensagem gostaria de deixar às pessoas homofóbicas?
Duarte: A minha mensagem, é a mesma que disse antes de ser agredido, "RESPEITO". Eu tenho respeito pela orientação sexual dos outros, só peço que os outros tenham pela minha. Não peço para aceitarem, apenas peço que a respeitem.
Tive um comentário de uma senhora que disse que não achava bem existirem homossexuais, mas que disse que se tivesse visto na rua, que tinha virado a cara, e é apenas isso que eu peço.
E por falar em respeito, antes de terminar a publicação quero deixar bem claro que este post não é publicação de incentivo à homossexualidade, como o Duarte disse, trata-se de respeito pelas orientações de cada um, e por isso todos os comentários vão ser bem-vindos desde que não faltem ao respeito a ninguém.







