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sábado, 25 de maio de 2019

Tinha tudo para correr mal (37º Capítulo)

maio 25, 2019 7 Comments

Lembram-se de eu vos ter dado a hipótese de escolherem o próximo narrador da história? Pois bem, os leitores já se pronunciaram, e o próximo narrador da história, vai mesmo ser a Carlota. Isso agora implica uma mudança completamente diferente na maneira de escrever e expor as coisas, e para mim, tendo em conta aquilo que pretendo fazer com a história vai ser um verdadeiro desafio.

"- Peço imensa desculpa pelo atraso! - Digo entrando em casa da Eduarda, a Carlota está mesmo atrás dela e está a fulminar-me com os olhos.

Ela fica verdadeiramente assustadora quando me olha desta forma, mas tasse bem, ela tem razão para estar chateada, quase que o meu atraso lhe estragava os planos.
Para me desculpar estendo o saco com o presente que lhe comprei, obviamente que é uma prenda de anos, mas também serve de desculpa certo?
Ela pega no saco, mas fico com a sensação que o vai usar como arma de arremesso assim que eu virar costas.
- Bem Edu, vens comigo? Eles já são crescidos, por isso ninguém te vai pegar fogo às cortinas! - Diz o Artur que obviamente já adiantou a sua parte neste plano de malucos.
- Sim claro. - Diz a Eduarda pegando na mala que estava pousada em cima da mesa da sala, mesmo perto da maldita porta.
A porta do diabo! A porta de todas as questões e dúvida! Coisa do demónio!
Já estávamos todos imóveis, quase sem respirar (acho que cheguei mesmo a suster a respiração), a Eduarda já com a mão na porta da saída, pronta para abrir a porta e nos deixar à vontade para que déssemos inicio à nossa expedição...
- AH!!! Quase me esquecia! - Diz ela vindo de novo para a sala, e tirando um molho de chaves da carteira e fechando a porta misteriosa, não com uma chave, não com duas, mas três vezes, e uma delas era um daqueles canhões que se usam nas portas da entrada! 
Atira o molho de chaves para dentro da mala e fita-nos a rir.
- Vocês são espertos, mas eu também! - Exclama saindo de casa acompanhada do Artur que nos fita igualmente chocado.
- E agora? - Pergunta a Ana. - É que nem vale a procurar as chaves já sabemos onde elas estão! 
- Nunca pensei... - Diz a Carlota desiludida enquanto se afunda no sofá com um ar pensativo e amuado.
- Nem vale a pena tentar... Ela é mais inteligente que nós todos juntos, ela vai estar sempre um passo à nossa frente. - Conclui o Ivo.
- Ela não pode ser mais inteligente! Tem que haver uma falha! - Exclama a Carlota quase possuída das ideias
- Miss Bond! Tenha lá calma, tentamos e correu mal, não vale a pensar mais nisso! - Diz a Joana sentando-se ao lado dela.
- Venho já!
A Carlota levanta-se com uma fúria tal que se tivesse mais de um 1.60m ia assustar o Spartacus!
- Ela está a levar as coisas a peito! - Brinco quando a pequena Minion passa por mim a deitar fumo pelas orelhas.
- Serei a única a achar estranha a atitude da Carlota? - Pergunta a Joana no seu canto do sofá.
- Como assim? Ela estava convencida que ia conseguir descobrir o que estava atrás da porta, agora está apenas frustrada. - Ri-se a Ana.
- Não sei, mas pareceu-me mais do que frustração... - Acrescenta a Joana chegando-se para a frente.
E não foi por ser a Joana a falar, mas acho que ela tem razão, existe alguma estranha!
- Ela sempre foi a mais nova, sempre sentiu que tinha que provar que era como nós! Ela quer estar ao nosso nível em tudo, e a maneira que tem de o fazer é mostrar que nos consegue provar que estamos errados. - Explicou a Ana. - É assim desde que somos amigos!

Na manhã seguinte...

Adormecemos todos em casa da Eduarda, estávamos todos com uns copos a mais, obviamente que ninguém ia conduzir neste estado.
Estamos todos espalhados pelo quarto de hospedes, até a Eduarda adormeceu aqui. Realmente e apesar dos copos extra não me sinto com ressaca, muito pelo contrário! Foi uma das melhores noites de sono da minha vida apesar de ter adormecido no tapete fofinho que a Edu tem no chão.
Um a um vamos acordando e seguimos para a sala e para a cozinha para tomar o pequeno-almoço, assim que chegamos a sala, uns a carregar as chávenas de café outros os cereais, e outros ainda carregando o pão, reparamos que a Eduarda fita a porta misteriosa muito atentamente.
- Ia jurar que tinha fechado as fechaduras todas! - Exclama ela ela fitando o canhão que estava na parte de cima, efetivamente não se conseguia ver os dentes da fechadura atravessa a madeira da porta até à madeira do caixilho. - Tenho que ter mais cuidado!
Nem parece normal da Eduarda, mas os erros existem não é?"

 

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sábado, 18 de maio de 2019

Tinha tudo para correr mal (36º Capítulo)

maio 18, 2019 12 Comments

A parte desta história contada pelo Rodrigo está prestes a acabar, como tal tenho um pequeno desafio para vocês querem que volte a ser a Eduarda a contar a história, ou gostariam de ver a Carlota como narradora? Fico à espera das vossas respostas nos comentários. 

"Acho sempre estranho quando este grupo de amigos decide convocar reuniões de emergência. Quer dizer, não foi bem de emergência, mas mesmo assim, é estranho pois existe sempre muito secretismo sobre o motivo desta reuniões, e eu nunca sei quando é que é uma intervenção para me chamarem à razão por algum motivo... Mas que motivos teriam eles para me chamar à razão?

Hipótese A: A quantidade mulheres com que eu durmo... Ou dormia até andar com a Joana
Hipótese B: A minha relação com a Joana
Hipótese C: O facto de eu ser péssimo condutor e de um dia vir a ter um acidente
Hipótese D: A bebedeira que apanhei em mil, novecentos e troca o passo.
Hipótese E:...
Bem já percebi que existem muitos motivos para esta reunião ser por minha causa, mas tasse bem, vou agir com naturalidade e tentar passar despercebido.
Assim que chego a casa do Artur e me sento no sofá percebo que a tropa topa já cá está.
Hipótese D: Falar sobre a minha constante dificuldade em chegar a horas...
- Já estamos todos podemos começar. - Diz a Carlota sentando-se.
- Falta a Eduarda. - Diz a Ana. Nem tinha reparado que a Rainha das Trevas não estava presente.
- E não vai estar... É sobre ela que eu quero falar. - Explica a Carlota. 
Sinto um estranho alivio, mais uma vez estou safo, não é sobre os meus problemas que eles vão falar, mas para falarem da Edu, sem que ela esteja presente a coisa é grave.
- De certeza que não sou única a morrer de curiosidade sobre a porta misteriosa que ela tem em casa...
Olha! Parecemos todos o Noddy a abanar a cabeça em concordância.
- Mas não se trata só de curiosidade, quer dizer, porque motivos teria ela uma porta fechada, trancada, com acesso vedado...
- Já percebemos! - Interrompe o Artur. - Continua.
- Ela pode ter algum segredo escondido...
- Isso tem de certeza. - Concorda o Ivo.
- Mas pode ser grave, acho que deveríamos ver... 
- Primeiro, não me parece correto invadir a privacidade da Edu, contudo devo concordar que é muito estranho e suspeito. - Diz a Joana daquela maneira ponderada que só ela sabe usar tão bem.
- Pode ser alguma coisa grave, algo que ela tenha receio de nos contar por medo ou vergonha... - Diz o Artur. - Não levem a mal, mas acho estranho que nenhum de nós saiba o que está atrás da porta, nunca tivemos segredos entre nós...
- Mas pelo que eu percebi este segredo sempre existiu... - Digo eu.
- Sim, esta porta existe desde que ela começou a trabalhar e comprou a casa, até então nunca tivemos uma situação destas. - Diz a Ana pensativa.
- E qual era o teu plano? - Pergunta o Ivo fitando a Carlota.
- O meu aniversário! 
- Se ela não abriu a porta como prenda de casamento, não acredito que vá abrir só porque fazes anos... - Brinca a Ana.
- Não me fiz entender. - Começa a Carlota calmamente - Vamos usar o meu aniversário como isco. A ideia é ela organizar a minha festa em casa dela, e depois arranjamos maneira de a tirar de casa mas ficarmos lá nós e tentamos abrir a porta.
- E porque raio é que ela haveria de sair da própria casa, quando já te está a fazer o favor de "emprestar" a casa para uma festa? - Pergunta o Artur.
Para nossa surpresa a Carlota tira da mala uma folha de papel completamente rabiscada e com alguns desenhos esquisitos na margem. Estende o papel sobre a mesa de jantar e todos nos levantamos para nos debruçarmos sobre ele.
- Então o plano é o seguinte: Eu vou dizer que por causa do que aconteceu ao meu a minha mãe não está com vontade de festejar lá em casa. A Ana e o Ivo dizem que com esta história do casamento, tem a casa em remodelação e afins, Artur a tua casa vai estar a ser pintada e não se pode lá estar por causa do cheiro, dois dias antes vais dormir para minha casa, para validar a história...
- Por acaso ando a pensar pintar a casa. - Repara o Artur.
- Eu sei. - Responde cautelosamente a Carlota. - Rodrigo a tua casa, como sempre está desarrumada, e a tua cozinha não tem os equipamentos necessários para se organizar um mega jantar.
E também é verdade, quase nunca uso a cozinha.
- E que desculpa vais dar para a minha casa? - Pergunta a Joana rindo deste plano.
- Não acredito que se chegue sequer a esse ponto, mas pelo sim, pelo não, não vais estar presente no momento da nossa conversa, assim ela vai ter que se oferecer, porque nunca na vida ela vai arrastar as coisas para uma pessoa que não está presente.
Bem visto, começo a achar que a miúda é um génio.
- Assim sendo temos a casa à nossa disponibilidade quando estivermos lá, o Artur vai ter que pedir à Eduarda que vá com ele comprar a minha prenda...
- E porque é que tenho que ser eu? - Pergunta o Artur.
- Não leves a mal, mas de todos nós és o que tens menos skills para abrir uma porta. - Responde a irmã. - Além disso és o único com uma desculpa plausível, para te "esqueceres" - faz o gesto das aspas com os dedos no ar - da minha prenda. Isto tudo que aconteceu, as obras em casa... Bem tu sabes o que quero dizer.
- Faz sentido. - Disse a Joana sentando-se. - Mas e depois, como é que tencionas abrir a porta?
-Já andei a praticar e acho que consigo abrir a porta com dois ganchos do cabelo... - Confessa a Carlota.
- Andaste a praticar a arte de abrir portas fechadas? - Pergunta o Ivo genuinamente surpreendido. 
- Claro, ou achas que ia surgir com um plano antes de saber se conseguia ou não? Bem de qualquer forma, existe a possibilidade de não conseguir, por isso é que preciso que os restantes fiquem comigo...
- E eu a pensar que só querias companhia. - Digo eu confuso.
- O Ivo e a Ana vão procurar a chave na cozinha e na entrada da casa, a Joana procura no quarto e o Rodrigo na sala, a chave não pode estar longe...
- Isso já é invasão a mais... - Diz a Ana.
- Ai é que te enganas, ou julgas que vos separei especificamente para estas divisões por acaso?
Acho que neste momento da conversa não sou só eu que estou chocado com o plano da Carlota.
- Ana e Ivo, vocês gostam de cozinhar, por isso faz sentido que estejam na cozinha, quando acidentalmente reparam que "ups, onde está o cebolinho"?
- A Eduarda não usa cebolinho... - Diz o Artur calmamente.
- Exatamente, temos que procurar algo que não existe senão a ideia era estúpida.  - Refuta a Carlota. - O Rodrigo vai procurar na sala o antigo baralho de cartas para jogarmos enquanto esperamos, mas "ups, o baralho nunca está na sala", e a Joana vai procurar no quarto da Edu, porque "ups, estavas a ajudar na cozinha quando te sujas-te toda e foste ao quarto dela procurar uma t-shirt velha para vestires".
- Começo a achar que a minha irmã é um génio. 
Sou obrigado a concordar. Nunca pensei que a Carlota fosse capaz de pensar mais além de gajos bons, revistas cor-de-rosa e códigos de barra."

Depois disto, vocês decidem, se a história seguir com a Eduarda como narradora, vai ter um rumo, se a história seguir com a Carlota, vai ter outro rumo. Façam as vossas apostas.
 
 
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sábado, 16 de março de 2019

Tinha tudo para correr mal (27º Capítulo)

março 16, 2019 21 Comments
Já percebi que ninguém estava à espera do que aconteceu no último capítulo. Confesso que nem eu estava, foi uma decisão de ultima hora da minha parte.
Entretanto aproveito para vos avisar que este é o capitulo final da primeira parte da história. Fiquem atentos à reviravoltas!
"Gritos! Só consigo ouvir gritos e duas ou três crianças a chorar. 
- O meu marido, alguém viu o meu marido? - Pergunta uma mulher que vi em tempos entrar no prédio ao lado do meu.
Tenho que ligar aos meus pais, eles iam estar fora todo o fim de semana, mas se já souberam do que aconteceu devem estar muito preocupados.
Ao longe começo a ouvir as sirenes dos bombeiros. Está tudo uma enorme confusão.
- Tens o teu telemóvel? O meu ficou lá em cima... - Digo eu Duarte, nem precisei de explicar mais nada, segundos depois ele tinha o telemóvel esticado na minha direção.
É a minha vez de lhe esticar os dois cães. Consigo fazer a chamada apesar das dificuldades de comunicação, mas tenho que desligar porque a rede está cheia falhas, pelo menos eles estão bem e sabem que estou bem.
- Tenho que ir ver se o Rodrigo está bem. 
Ele é o meu vizinho mais próximo e quando digo próximo refiro-me a uma rua de diferença.
Pego no Mário e deixo que o Duarte segure o Luigi, sinto o coração do pequeno cão acelerado, devem ter apanhado um grande susto. Só me apetece dizer que está tudo bem, que eles estão seguros e bem, mas não o consigo fazer até ter a certeza do que digo.
Caminhamos até casa do Rodrigo e em menos de 10 minutos estou em frente à porta, lá dentro está tudo às escuras, mas consigo ver duas silhuetas no jardim da frente.
- Oh Edu estás bem!!! - Grita a Joana abraçando-me.
- Como é que vocês estão? - Pergunto verdadeiramente preocupada.
- Estamos bem, tirando o facto que me cortei num vidro, nada de grave. - Diz o Rodrigo.
- As pessoas estavam a dizer que o abalo foi menor na nossa zona, aqui em casa não tivemos grandes problemas. - Disse o Rodrigo.
- Já estive a ver e está em ordem. - Disse a Joana com aquele tom de segurança que eu precisava de ouvir.
- Sabem dos outros? - Pergunto enquanto aperto o Mário que ainda está a tremer no meu colo.
- Ligamos ao Ivo, ele e a Ana estão bem só sentiram uma coisa leve, estão a vir para cá, mas suponho que não vão chegar tão cedo. - Disse o Rodrigo entrando em casa.
- O Artur e a Carlota? - Pergunto.
- Não consigui ligar com eles ainda. - Disse a Joana enquanto segurava no telemóvel.
Estamos todos confusos, mas pelo menos a Joana parece estar mais ou menos concentrada, por isso decidimos deixar os cães em casa do Rodrigo que apesar de mais velha que a minha está com muito melhor aspeto. Fazemos uma caminhada de quase quarenta minutos, e cada vez que avançamos para leste percebemos que a destruição foi pior, tento não olhar muito para a destruição que me rodeia, começo a tremer, tenho medo do que vou encontrar.
No meio do pânico sinto a mão do Duarte na minha, nem me lembrava que ele estava ali comigo.
- Não tens que ligar a ninguém? - Pergunto alertada.
- Não, a minha família é de longe.
- Estou Artur!!! - Grita a Joana que ainda não tinha largado o telemóvel numa tentativa de contacto com ele e com a Carlota. - Sim, estamos a ir para lá, tem calma, vem com cuidado, nós já estamos a chegar, assim que soubermos alguma coisa avisamos.
Fito a Joana assim que ela desliga o telemóvel.
- O Artur diz que está bem, em casa dele o impacto foi pequeno, mas ele está preocupado com a Carlota e com os pais. Está a caminho, mas diz que a policia está a bloquear as estradas todas...
Sinto um nó no estômago, quando percebo que a Carlota não contactou o irmão. Ele seria a primeira pessoa a quem ela iria ligar numa situação destas. Sem darmos conta aceleramos o passo, mas eu preferia ter ficado escondida debaixo da minha mesa da sala. 
Outra vez pessoas aos gritos, crianças a chorar, cães a ladrar, sirenes dos bombeiros. Aqui a confusão é ainda pior. 
Sinto um pânico terrível quando mesmo em frente da casa da Carlota vejo uma ambulância, estão a meter alguém numa maca. O meu sangue está a gelar.
Não me lembro de ter ordenado às minhas pernas que corressem, passo pela casa dos meus pais que está as escuras, não penso nos danos, o que é importante não está lá, corro para o portão da casa seguinte, e fico petrificada. Sinto a Joana, o Rodrigo e o Duarte atrás de mim, ou será a minha frente? Não sei, não consigo tirar os olhos, por momentos parece uma estátua, mas é a Carlota. Parada no meio do jardim, está com um pijama branco e o mais assustador é que o pijama está coberto de sangue.
Não sei como é que soube que era sangue, poderia ser muita coisa, mas instintivamente soube que era sangue.
A Carlota não se mexe, está a chorar, mas em silêncio, uma calma inquebrável que no meio de toda esta confusão se torna assustadora.
- Carlota... O que é que se passou? - Perguntou enquanto me aproximo calmamente.
- O meu pai... O meu pai... - Diz ela a chorar.
- Era o teu pai que estava na ambulância? - Pergunta a Joana com muita calma.
- Não, eles levaram a minha mãe para ambulância, ela tem uma fratura exposta na perna... Eles disseram que iam enviar alguém para me ajudar, ou levar... Mas eu estou bem, estava na cave a arrumar umas roupas velhas...
Se era a mãe que estava na ambulância porque é que ela estava a falar do pai?! Ela está em choque e não sei como falar com ela, pois ela parece confusa.
- Carlota, querida, onde está o teu pai? - Pergunto o mais calmamente que consigo.
- Tenho que ligar ao Artur!!! - Diz ela começando novamente a chorar.
- Já falei com o Artur, ele está bem, vem já a caminho... - Garantiu a Joana olhando para mim, nenhuma de nós sabe o que fazer.
- Ele não pode vir já, ele não pode ver...
- Não pode ver o quê? - Pergunta o Rodrigo.
- O meu pai... - Diz ela retomando o choro compulsivo. - O meu pai está na sala e está morto!
Ficamos todos em choque, ficamos todos sem saber o que fazer, mas foi o Rodrigo que teve a atitude mais certa, e a abraçou. Assim que se sentiu no conforto de um abraço amigo ela desatou a chorar.
- Vou lá dentro. - Digo.
- Pode ser perigoso. - Diz a Joana. - Além disso, não sabes o que vais encontrar...
- Eu sei, mas alguém tem que ter a certeza antes de o Artur chegar e descobrir.

Eu sabia que ia ser difícil, cresci quase toda a minha a vida a frequentar aquela casa, cresci ao lado do Artur e dos pais dele, não estava preparada para o que vi. Não havia hipótese de ele ter sobrevivido. Recuo para trás, o tempo parece parar, mas de repente alguns elementos fardados entram na sala e retiram-me da casa. Não reparei qual era a farda deles, o pai do Artur e da Carlota, o senhor Alberto, estava morto.

Quando chego ao jardim, vejo o Artur a fitar a irmã, está em pânico, mas a proteção civil não o deixa passar do jardim, olha para mim à espera que eu lhe diga que não passa tudo de um mal entendido, mas a única coisa que consigo fazer é abanar a cabeça e chorar."

 
Espero que tenham gostado deste capítulo, sei que está num registo um pouco diferente do habitual, mas também não queria que história fosse só coisas boas. Depois digam o que acharam.

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sábado, 12 de janeiro de 2019

Tinha tudo para correr mal (18º Capítulo)

janeiro 12, 2019 21 Comments

Parece que está na hora de regressar à rotina. Voltamos aos episódios "normais" de "Tinha Tudo Para Correr Mal", e aproveito para vos perguntar se querem um capitulo especial a contar como é que a Eduarda conheceu a Ana?
Espero que gostem, já sabem que estou à espera do vosso feedback.

"Arrisco-me a dizer que existe uma lei universal, que obriga todas as pessoas a fazer resoluções de ano novo no inicio de cada ano novo. Depois existe a clausula A dessa mesma lei, que dita que "este ano vou ser fit". 
- Já não aguento mais! - Queixou-se a Carlota assim que paramos a nossa corrida no parque.
- Eu também, por hoje já chega! - Concordo enquanto me preparo para fazer alongamentos.
- Eu e o Ivo vamos dar mais uma volta, alguém quer vir? - Perguntou a Ana fazendo aquela coisa estúpida que é correr sem sair do sitio.
- Eu também vou. - Disse o Rodrigo arrancando com eles.
- Não sei o que é que eles tomam ao pequeno-almoço, mas que funciona, funciona! - Brincou a Joana.
- Eu só sei que não nasci para isto. O meu exercício ideal é subir e descer escadas... - Digo enquanto estico os braços e os sinto a estalar.
- Desde quando? - Pergunta o Artur surpreendido.
- Desde que inventaram as escadas rolantes. - Respondo rindo.
- Por falar em escadas rolantes! - Disse a Carlota quase gritando. - Alguém leu o texto da Agente desta semana?
- Da quê? - Perguntou a Joana confusa.
- A Agente é uma fulana que escreve crónicas semanais numa revista feminina, e pelos vistos tem muitos fãs por ser tão... - Explicava o Artur.
- Direta! - Terminou a Carlota. - Ela é simplesmente genial, tem as ideias bem definidas e não tem medo de falar sobre isso. Esta semana ela falou do perigo das escadas rolantes e das crianças... Basicamente disse que os encarregado de educação que deixam os miúdos se sentarem nas escadas são umas bestas...
- Acho que não foi bem esse o termo que ela usou... - Rematei.
- Pois não, ela dá aquelas chapadas de luva de pelica que lhe ficam tão bem! Eu adoro-a! Quando for grande quero ser como ela!
- Como é que queres ser como uma pessoa que não conheces? - Perguntei admirada com aquele estranho fascínio que a Carlota sentia pela Agente. 
- Ela não tem medo de dizer o que sente, ela arrisca, ela fala de situações que conhece e viveu, é por isso que as pessoas gostam tanto dela e se identificam com ela. Ela fala dos seus medos, da sua realidade, mas também dá a sua opinião.
- E contudo, ninguém sabe quem ela é... - Disse a Joana. - Até pode ser um gajo a escrever tretas para gajas...
Serei a única a achar esta conversa completamente surreal? 
- Claro que pode ser, mas não acredito. Existe algo que a torna real, apesar de ninguém saber quem ela é.... Mas percam cinco minutos do vosso dia e leiam os textos dela. - Aconselhou a Carlota.
- Confesso que já li alguns e gostei. - Disse o Artur bebendo água. - A Agente é realmente uma personagem carismática.
- Agora fiquei curiosa! - Afirmou a Joana.
- A sério que vocês não tem mais nada para fazer do que se dedicar a essas coisas? - Pergunto aborrecida com a conversa.
- Não sejas assim, eu sinceramente até te acho muito parecida com a Agente, contudo ela não é tão descrente das coisas como tu!
Fantástico sempre desejei ser comparada a uma personagem fictícia de uma revista feminina! Depois disto, os quilos que engordei no natal parecem insignificantes.
- Sabes o que é que ela vai fazer este ano? Ela desafiou-se a conhecer um homem de cada signo ao longo do ano todo. E depois provar se existem ou não diferenças entre os signos! - Disse a Carlota.
- Não precisava de fazer isso, bastava ter perguntado. - Brincou a Joana acendendo um cigarro.
Realmente, que coisa estúpida, quem é que vai testar a diferença entre os homens dos vários signos, quando existem várias acompanhantes de luxo de confiança que o podem comprovar? 
- Realmente, bem que podias escrever um livro! - Brinquei. - Bem vou embora, por hoje chega! Se eu queimar todas as calorias hoje amanhã já não tenho motivação para voltar.
- Eu também, aliás vou comer umas bolachas assim que chegar a casa, pelo menos fico com remorsos e volto amanhã. - Disse o Artur sorrindo."

 

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sábado, 5 de janeiro de 2019

Tinha tudo para correr mal (17º Capítulo)

janeiro 05, 2019 11 Comments

Depois do episódio especial de natal está na altura de as coisas voltarem ao normal para este grupo de amigos, contudo não sei bem se "normal" é a melhor palavra. De qualquer forma, este vai ser um episódio mais calmo e relaxado para fazer a ponte entre a época festiva e a rotina.


"- Alguém me diz porque é que celebramos os reis? - Perguntou o Artur sentando-se no sofá à minha beira.
- Sinceramente não sei como é que isto começou... - Disse a Ana fazendo festinhas na cabeça do Luigi.
- Quando vos conheci vocês já faziam o jantar de reis... - Acrescentou o Rodrigo entrando na sala com um copo de vinho.
- Eu explico! - Digo eu levantando-me. Sinto-me o centro das atenções com todos os olhos colados em mim. Gostava de ter vestido uma roupa mais brilhante só para causar mais impacto. - Quando somos novos, todas as desculpas são boas para celebrar e para termos uma festa. O natal é uma boa desculpa para estarmos com os amigos e fazermos um jantar, a passagem de ano é um excelente maneira de sair e apanhar bebedeiras com os amigos e depois os reis é aquela festa em que bebemos e comemos o que sobrou das outras festas, antes de darmos por concluída esta época de paz e amor e voltarmos a odiar o próximo.
- Bem visto. - Concordou o Ivo afastando o Mário do sofá para se conseguir sentar. Com seis amigos e três cães é melhor começar a pensar em comprar um sofá maior.
- Porque é que julgas que celebramos a todas aquelas festas? Tudo começou quando éramos jovens e queríamos apenas festas! - Brincou a Ana sentando o Luigi no seu colo.
- Quer dizer que só celebramos o S. Patrick porque vocês queriam ir para festas quando eram novos? - Perguntou a Carlota admirada. - Não existe nenhuma história por trás dessa tradição?
Ou seja, ela acompanhou-me a mim, ao Artur e à Ana durante anos e nunca se tinha perguntado porque é que celebrávamos um feriado irlandês. 
- Nenhuma história... Apenas festa! - Respondeu a Ana.
- E o Dia da Independência? - Perguntou a Carlota.
- Para os americanos tem muita história e tradição, para nós, é apenas um motivo para festejar.
- O Santo António? 
- OK! Esse feriado nós celebramos com sentimento! - Respondo. - Celebramos o Santo António em solidariedade com os Lisboetas, e celebramos o Santo António como treino para o S. João!
- Isto é terrível! - Diz a Carlota chateada. - Sempre pensei que existia algo por trás destas tradições todas que temos, mas afinal...
- Oh por favor! - Exclama o Rodrigo - Ninguém lhe diga que o Pai Natal não existe!
Todos nos rimos, mas contra todas a probabilidades foi a Carlota que o fulminou com o olhar. Naquele momento percebi que apesar de ela sempre nos ter acompanhado, ela não sabia o motivo por que o fazia ano após ano. Simplesmente a ingenuidade dela fazia com que ela com apenas 14 anos, acreditasse naquilo que adolescentes com 17 e 18 anos lhe contavam.
- Carlota, o importante não é o como começou uma tradição, mas sim as pessoas que a fizeram durar e sobreviver ano após ano. - Disse a Joana sorrindo. - Pessoalmente as minhas melhores tradições foram todas com vocês, nunca me interessei por saber como começaram, mas fiquei feliz de me tornar parte delas. Estúpidas ou não, com festa ou sem festas, somos um grupo que assinala os momentos especiais, sem fazer perguntas!
- Falaste bem! - Diz a Ana rindo.
Nisto levanto-me de um salto e começo a dar um beijo na bochecha a cada um deles.
- Nunca percebi porque é que ela faz isto todos os anos... - Disse a Joana que só partilha as nossas tradições há três anos.
- A Eduarda sempre teve mau feitio, então eu, o Artur e a Carlota à muitos anos atrás fizemos um pacto com o diabo... - Começou a Ana.
- Entre os dias 23 de dezembro e até às 23h59 de dia 06 de janeiro a Eduarda não faz maldades nem trata mal ninguém. - Explicou o Artur.
Paro a minha roda de beijinhos e abraços para os fitar chateada.
- Vocês estão a dizer que não repararam que eu estive mais amistosa, estes 15 dias?
Desatamos a rir, posso ser mal disposta, posso até ser sarcástica, mas estas seis pessoas entendem e respeitam. A beleza da amizade está nestes detalhes, está no facto de seis pessoas completamente diferentes criarem laços, e tradições que as unem...
- Ei Eduarda, já que estás numa fase de ser boa pessoa, queres aproveitar o tempo que falta a fazer-me miminhos? - Perguntou o Rodrigo com sorriso maroto.
- EDUARDA NÃO!!! - Gritaram todos para me calar antes que eu estragasse mais uma das nossas tradições."


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