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sexta-feira, 11 de março de 2022

# Capítulo # Linha Desfalecida

Linha Desfalecida - 26º Capítulo

O lado positivo do meu isolamento é que eu tive o tão desejado tempo livre para me dedicar como queria à história do "Linha Desfalecida", por isso e como habitual, hoje deixo por aqui mais um capitulo desta história.

"Assim que entraram no café, o Rui e a Samanta sentaram-se num dos lugares do balcão. Por trás deste Alexa aproximou-se.
- O que é que ela faz aqui? – perguntou a Alexa sem rodeios.
- Ela está a ajudar! – respondeu o Rui.
- O meu irmão?
- Está com a Isabel a acampar…
- Bem, vou a casa de banho, assim podem falar mais à vontade. – disse a Samanta levantando-se a afastando-se.
- O que é que lhe disseste?
- Apenas o que ela precisa de saber. – respondeu o Rui. – Ela está a ajudar-me, sabemos que eu não sou o alvo, por isso tu, o Hugo, o Marcelo ou a Isabel devem ter despertado a atenção de quem nos anda a seguir.
- Como é que sabes que não és tu? – perguntou a Alexa. O Rui debruçou-se no balcão, percebeu que no outro canto o Marcelo o escutava cuidadosamente, então explicou rapidamente a teoria da Samanta. Depois de o ouvir Alexa concordou acenando com a cabeça. – Achas que estão atrás da Isabel?
- Pode ser qualquer um, qualquer um de nós pode ter chamada a atenção de outra pessoa. – disse o Rui. – A verdade é que o facto de a Isabel não saber usar os seus dons, pode a ter colocado em destaque, mas por outro lado, sabemos que é difícil despoletar o dom dela, tecnicamente ela apenas o usou meia dúzia de vezes…
- Que saibamos…. Vamos ver a psicopata pode andar a usar os dons dela no cabeleireiro! Caso contrário como é que ela teria um cabelo tão perfeito? – ironizou a Alexa, tanto o Rui como o Marcelo a fitaram confusos.
- O que é que a tua amiga sabe? – perguntou o Marcelo aproximando-se dos outros dois.
- Para já nada, mas depois disto acho que lhe vou dever uma satisfação… - confessou o Rui.
- Não lhe vais contar pois não? – questionou a Alexa chateada.
- Não sei, não consigo pensar nisso agora! Um drama de cada vez! – pediu ele – Seja como for, o facto de ela estar a ajudar sem saber patavina do que se passa, já mostra que não pode ser má pessoa.
- Ou isso ou quer saber mais coisas e está a usar o que está acontecer como desculpa! – atacou a Alexa.
- Puxa Alexa! Tens mesmo dificuldade em acreditar nas pessoas! Um pouco de fé não te fazia mal nenhum!
- Não faz mal nenhum, mas também não faz bem. Se bem te lembras da última vez que acreditei numa pessoa, o café pegou fogo e duas pessoas morreram… - reclamou ela partindo o copo que tinha na mão.
- Precisas de te acalmar. – disse o Marcelo estendendo-lhe um pano para ela limpar o sangue.
- Eu estou bem! Apenas fico chateada que nos estejam a colocar em perigo! Primeiro o meu irmão decide ajudar a Isabel, eu até gosto dela, mas acho que foi um risco desnecessário! E agora o teu sobrinho quer contar a uma perfeita desconhecida que o anda a seguir a verdade! – reclamou a rapariga – A mim parece exagerado ter fé. Vou lá dentro limpar a ferida! – terminou ela afastando-se para dentro do café.
- Ela não deixa de ter razão. – acrescentou o Marcelo servindo uma bebida ao sobrinho.
- Eu sei que sim. Mas nenhum de nós tem culpa do que aconteceu no passado.
- Apenas acho que não faz termos cuidado, não sabemos o que as pessoas podem fazer com tanta informação… - Marcelo calou-se ao ver que Samanta se aproximava. – O que vai ser?
- Uma coca-cola por favor! – pediu a Samanta sentando-se ao lado do Rui, assim que o Marcelo a serviu e se afastou, ela perguntou – Acho que os teus amigos não ficaram muito feliz por eu estar aqui… Se quiseres eu vou me embora.
- Não! – exclamou ele. – Eles até podem ter razão… - começou o Rui sabendo que o tio o estava a ouvir. – Mas infelizmente as coisas não são só branco ou preto, e por vezes é preciso encontrar o tom de cinzento ideal!

- Vá preciso que te concentres. – pediu o Hugo a Isabel. – Faz com que eu abra a lata da comida!
- Estou a tentar… - disse a Isabel serrando os olhos. Fez-se um silêncio profundo, e ela abriu um dos olhos. – Funcionou?
- Não! – disse o Hugo ligeiramente frustrado.
- Talvez eu não esteja com fome suficiente! – exclamou a Isabel igualmente frustrada.
- Tem que existir um gatilho. Não pode ser só a tua vontade extrema de algo que ative o teu dom…
- Começo a achar que o meu dom vem com defeito! Ele só funciona quando quero mesmo muito uma coisa!
- Talvez seja esse o teu gatilho, a necessidade! – afirmou o Hugo sentando-se na areia à beira da tenda, estava de noite e a luz da fogueira iluminava o rosto dele. Isabel sentou-se ao seu lado. – No assalto, tu estavas com medo, temias pela tua vida por isso o dom foi ativado e o ladrão fez aquilo que mais querias naquele momento… Que ele se fosse embora, ou seja o instinto de sobrevivência. O nosso beijo, aconteceu porque desejavas muito isso, e aqui falamos de desejo sexual… Será que o teu dom está apenas relacionado com os instintos mais primitivos?
- A teoria é muito bonita, mas isso não explica o motivo pelo qual a professora foi embora… Não ter aula de história não me parece uma questão de sobrevivência e muito menos me parece uma questão sexual…
Isabel fitou o Hugo, que sorriu perante o raciocínio da namorada.
- Se estamos em perigo, e eu acredito na teoria do Rui e da Samanta, então tu podes ser um dos alvos, precisas de te saber defender… Ou quem sabe de ajudar qualquer um de nós. Tens um dom fabuloso que nos pode ajudar em caso de perigo, precisamos de saber como o ativar.
- Começo a ficar frustrada! – reclamou ela. – Sinto que vocês estão em perigo por minha causa, e que precisam da minha ajuda… E olha só, nem a porcaria de uma lata de sardinhas em conserva consigo abrir!
Enquanto ela reclamava, Hugo sentiu algo a mudar dentro de si, subitamente sentia uma ligeira fome, mas não o suficiente para se esticar e pegar na lata.
- Continua! Não sei o que estás a fazer mas continua!
Isabel fitou-o surpreendida, mas tentou não perder o raciocínio.
- Quer dizer, bem podemos todos morrer à fome… ou à sede… Ou simplesmente morrer… - continuo ela fitando-o. Subitamente ele esticou o braço e abriu a lata. – Funcionou?
- Sim. – sorriu ele mostrando-lhe a lata aberta.
- Já percebi como funciona o teu dom! – exclamou ele pousando a lata. – Estava certo! Está relacionado com o instinto primitivo, mas não com o teu, mas sim com o da pessoa influenciada.
- Não estou a perceber…
- O assaltante, o instinto dele era fugir dali, de certeza que ele estava ansioso para acabar o assalto e fugir antes que alguma coisa corresse mal, tu aceleraste o instinto dele de fugir. No nosso beijo… Eu já te desejava e queria-te beijar, tu ampliaste o sentimento, e eu beijei-te não porque querias, mas porque eu queria… E a professora… Bem provavelmente ela também não queria dar aquela aula, e tu ampliaste o motivo dela, seja ele qual for, para se ir embora. E agora com a comida, tu ampliaste o sentimento de fome, dai eu ter sentido necessidade de abrir a lata para comer… Eu não sentia fome até começares a dizer que todos podiam morrer de fome…
- Isso quer dizer que na prática eu não influencio as pessoas a fazerem o que eu quero, mas sim o que elas querem… Não me parece muito útil.
- Isso depende do ponto de vista. – respondeu ele sorrindo. – Não as podes influenciar a fazerem o que tu queres, mas se souberes o que elas querem ou precisam podes influenciar a tomada de decisão! Tens é que mudar a perspetiva do teu dom, não podes dizer a elas o que queres que façam, mas sim, dar-lhes o que elas querem de forma vantajosa para ti!
- Isso vai ser fantástico nas próximas eleições! – brincou ela."


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28 comentários:

  1. Bom e belo fim de Semana
    e comidinhas que deliciam, o olhar ´. ~`))))))

    Beijinhos

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  2. Gostei deste episódio. Lamento não ter conseguido ainda ler a história do início, mas os meus olhos continuam a dar-me muitos problemas.
    Abraço e saúde

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    Respostas
    1. Não tem problema, mas gostaria muito de ouvir a sua opinião!

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  3. Como foi bom ler mais um capitulo, estou gostando bastante
    Beijinhos
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  4. Mais um excelente capítulo que me fascinou ler. Elogio a inspiração e criatividade de escrita.
    .
    Feliz fim-de-semana … Saudações poéticas
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  5. Olá, Teresa.
    Mais um capítulo deste interessante romance aqui partilhas.
    Sem margem para dúvidas, o teu talento é fascinante!

    Parabéns!

    Votos de um excelente fim de semana!

    Beijinhos.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  6. Um belo capitulo que gostei de ler!
    Maravilhoso amiga.

    Beijinhos e bom fim de semana.

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  7. Olá, Teresa.
    Como não estou acompanhando a história fiquei perdida hehe. Mas que bom que pelo menos a pandemia trouxe algo positivo na sua vida.

    Prefácio

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  8. Boa semana pra ti!
    https://www.blogdamari.com.br/

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