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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

# Capítulo # Linha Desfalecida

Linha Desfalecida - 21º Capítulo

Ando literalmente com as ideias aos pulos. A cada semana, surgem novas ideias que parecem melhores que as anteriores. Estou ansiosa para te dar a conhecer tudo sobre o "Linha Desfalecida

"Assim que regressaram à parte central do armazém, Isabel percebeu perfeitamente o que Marcelo queria dizer. A cena que se estendia à sua frente, era algo simplesmente fabuloso, e o sinal da perfeição e da simbiose que existia entre os seus amigos.
Hugo e Alexa estavam frente a frente, Isabel não conseguia ter a certeza, mas a distância que separava os dois irmão deveria ser de cerca de sete ou dez metros. Uma ligeira alteração na atmosfera tornava o ar ligeiramente turvo, e por isso Isabel percebeu que o Hugo estava a usar os seus poderes contra a irmã que se aguentava forte e firme contra ela. Ao lado deles, Rui dava indicações sobre como cada se sentia, influenciando assim a força da onda enviada pelo Hugo ou a maneira como Alexa se defendia.
- É fantástico, não é? – perguntou o Marcelo interrompendo os pensamentos de Isabel.
- Sim… é perfeito perceber como cada um usa os seus dons e como eles se completam… - confessou a Isabel. – É uma pena que as restantes pessoas não consigam compreender o que somos… O mundo podia ser bem melhor…
- Estás a acreditar que cada uma das pessoas como nós ia usar os seus poderes para bem… Mas imagina o que uma pessoa como o Hugo ou a Alexa podiam fazer se decidissem travar uma guerra!
Isabel fitou surpreendida o Marcelo, nunca tinha pensado muito sobre o facto de alguém usar os seus dons para fazer algo mau, mas a verdade é que a vida já lhe tinha mostrado que da mesma maneira que existem pessoas dispostas a fazer coisas, existem outras tantas dispostas a fazer o mal.
- Acho que tens razão… Mas é sempre estranho pensar que alguém que poderia mudar o mundo para melhor, optar por não o fazer…
- O problema não é as pessoas não optarem por fazer o bem, mas sim aquelas que fazem o mal a pensar que estão a fazer o bem…
Mais uma vez Isabel ficou parada a observar o tio do Rui. Existia realmente tantas coisas a ter em consideração, que viver parecia muito mais complicado agora. Isabel acenou com a cabeça.
- Existe alguma maneira de vivermos normalmente? – perguntou ela, ele fitou-a confuso. – Espera, acho que não me expliquei da melhor maneira. O que eu queria saber é se chegamos a algum momento da nossa vida em que simplesmente podemos desligar os dons.
- Não existe um botão de ligar e desligar. – respondeu ele rindo. – Mas com os anos aprendemos a não estar sempre ligados ou atentos aos nossos dons.
- Como assim?
- Por exemplo o meu dom é uma audição fora do normal. Consigo ouvir que um gato está a passear pelo telhado do armazém, porém já me habituei de tal modo a ouvir tudo que simplesmente o meu cérebro já ignora as coisas insignificantes a não ser que eu pretenda prestar atenção.
- Uma espécie de audição seletiva é isso?
- Sim, é uma maneira de ver as coisas.
- Mas por exemplo como é que eles fazem? Como é que eu o posso fazer?
- O Hugo aprendeu a controlar o dom, da mesma maneira que uma pessoa aprende que não se deve bater noutra pessoa, ele aprendeu a controlar o instinto que o faz impulsionar a onda de força. A Alexa por outro lado, não deixa de ter a sua força, contudo da mesma maneira que tu sabes que se apertares um ovo com força ele vai partir, ela sabe que se abraçar alguém com força o pode partir, por isso ela evita usar a sua força com as pessoas, e trata-as da mesma maneira que nós tratamos os ovos.
Isabel teve que soltar uma gargalhada com a metáfora escolhida pelo Marcelo.
- O Hugo falou-me que com o passar dos anos desenvolvemos uma espécie de dom secundário, isso quer dizer que o que estou a passar agora vou ter que passar novamente mais tarde?
- Sim e não. Habitualmente o primeiro dom surge na adolescência, e nessa altura começam as principais e as mais importantes alterações do corpo - explicou Marcelo - Como se adolescência já não fosse realmente complicada só por si... - brincou ele, Isabel concordou e sorriu. - O poder secundário, ou auxiliar, surge por volta dos vinte e pouco anos. Nessa altura o nosso corpo já está habituado às mudanças, e à nova alimentação, e a não ser que esse dom exija alguma alteração no teu corpo, em princípio só precisas de o aprender a controlar. De qualquer forma, como já sabes controlar o teu primeiro dom, habitualmente é mais fácil... Mas como te disse, tudo depende do dom que seja desenvolvido...
- Escolheste a palavra poder auxiliar, isso quer dizer que o segundo dom, é um complemento do primeiro?
- Habitualmente sim, contudo existem dons que dificilmente podem ser complementados e por isso pode ser desenvolvido outro dom que te ajude a sobreviver... A ideia desta evolução é tornarmo-nos autónomos e conseguirmos viver num mundo sustentável, por isso muita coisa pode acontecer e mudar, entretanto...
- Entendi. E posso perguntar qual é o teu dom auxiliar?
- A minha super audição é de facto o meu poder secundário. O meu poder primário é adaptação.
- E isso é exatamente o quê? - perguntou a Isabel confusa.
- Resumidamente, tenho a possibilidade de me tornar imune a algumas coisas depois de ter sido exposto a elas.
- Isso quer dizer que se usar os meus poderes contigo te vais tornar imune a eles?
- No teu caso sim. Mas se a Alexa me bater eu não me vou tornar imune, apenas mais resistente, Porque torno-me imune ao impacto mas não há dor.
- Por exemplo no caso de uma bomba atómica? - questionou a Isabel surpreendida.
- Nunca experimentei, mas tendo em conta a minha experiência com a radioatividade é provável que me torne imune aos efeitos dela.
- OK, mas se te atacarem diretamente tu não ficas imune porque cada confronto é um confronto, é isso?
- De forma resumida sim.
- Então desenvolveste super audição, para te protegeres dessas situações em que a adaptação não te ajuda, é isso?
- Estás a perceber bem! - exclamou ele verdadeiramente orgulhoso do raciocínio dela. - O que me dizes de irmos treinar com eles?
- Adoraria, mas não vejo como posso ser útil...
- Todos os dons são úteis, e o teu até pode ser bem divertido. Só tens que aprender a usá-lo como deve ser!
- Podes me ajudar com isso?
- Ajudei a Alexa a aprender a não esmagar pessoas, acho que posso tentar te ajudar a controlar os teus desejos. - disse ele sorrindo, depois chamou a Isabel para o centro do armazém, e juntaram-se aos restantes.

Do lado de fora Samanta esperava pacientemente dentro do seu carro, estava feliz por se ter lembrado de passar num
drive-thru e ter trazido comida, antes de seguir o Rui e o seu amigo até ali.
Tinha visto as outras duas raparigas, que reconheceu do dia do assalto entrar também, o que tornava tudo ainda mais estranho. O que poderiam 4 adolescentes estar a fazer dentro de um armazém? No que é que ela se estava a meter ao aceitar o convite do Rui para sair com ele nessa mesma noite?
Por momentos, enquanto mastigava o seu hambúrguer, ela pensou se a sua teoria não seria realmente absurda, e se tudo aquilo não seria apenas fruto da sua imaginação, afinal de contas, nem ela sabia ao certo o que estava a procurar ou a tentar descobrir. Apenas sabia que algo estava errado, mas não sabia mais nada.
Foi quando se debruçou para ir buscar o copo do refrigerante ao porta-copos do carro que percebeu que alguma coisa estava errada. Ela efetivamente já tinha reparado num carro parado distante do dela, mas o suficientemente perto para observar o armazém, inicialmente pensava apenas que alguém teria deixado alí o carro e ido trabalhar num dos armazéns próximos, contudo ao se baixar para pegar no copo, o reflexo do sol deixou de bater no vidro e ela conseguiu perceber que estava alguém imóvel dentro do outro carro, a vigiar o armazém tal como fazia.
E isso levantou duas possibilidades, ou ela não estava maluca, ou então os 4 adolescentes estavam metidos em grandes problemas!"


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31 comentários:

  1. Recambulescas vampiragens Teresa ´.~``))))

    Boa e bela tarde
    eu m fim de Semana à maneira e com alegria, beijinhos.

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  2. Talento, inspiração, criatividade de escrita. Deixando a minha admiração e elogio.
    .
    Saudações cordiais
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  3. When we read the story we feel very exciting and love it but Isabel is right because she really miss the normal life.

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  4. Very nice!

    Have a wonderful weeekend

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  5. Mais um capítulo que leva esta história a seguir o seu caminho. Está a ser estimulante ler
    😊

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  6. Mais um capítulo deste interessante romance aqui nos deixas, amiga Teresa.

    Parabéns!

    Votos de um excelente fim de semana.

    Beijinhos!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  7. Thank you for sharing more of your writing! :)

    Hope that you are having a lovely weekend! We had a playdate yesterday and today is the last day of the summer school holidays :)

    Away From The Blue

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  8. Gosto muito, quanto mais escrevemos mais a criatividade e a imaginacao aparecem :) Bom fim de semana *.*

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  9. Mais um belíssimo capítulo.

    Amiga Teresa, tenha uma boa semana.

    Bjos

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  10. Thanks for sharing more of your writing :)

    Hope that you had a fun weekend :) We had a good one, last one of the summer school holidays!

    Away From The Blue

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  11. Acho incrível as habilidades de cada um...
    Se isso existisse de verdade será que seria bom?
    Vc já respondeu, dependeria se estes poderes
    só fossem usados para o bem.
    Beijos! 😘🌺

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  12. siempre nos mantienes en vilo, genial relato.

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  13. Será que os 4 adolescentes estão mesmo metidos em problemas...? Veremos...
    Continuo a gostar, a sua escrita é apelativa com uma narrativa muito boa. Para além da criatividade, muita e interessante.
    Boa semana, amiga Teresa.
    Beijo.

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  14. Mais um capitulo empolgante! Gostei imenso de ler!
    Beijinhos
    Ana

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