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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

# Capítulo # Linha Desfalecida

Linha Desfalecida - 17º Capítulo

E chegou finalmente o 1º capítulo de 2022!

Aposto que muitos de vocês, já estavam com saudades da história, e por isso, hoje temos mais uma capítulo de "Linha Desfalecida", cheio de muitas emoções.

"Ao fim de uma hora Isabel percebeu que não conseguia se concentrar nos livros que tinha à sua frente, as palavras da Viviana ecoavam pela sua cabeça e rufavam como tambores. O que seria a mudança no Hugo a que ela se referia? Teria sido durante o período de transição dele? Durante as conversas que ele tinha tido com ela, ele nunca lhe contara nada muito específico sobre o momento em que passara pela mudança, mas em pequenas partes Isabel conseguia entender que a mesma não tinha sido fácil, e talvez fosse por isso que ele se tinha tornado tão reservado.
Cansada de lidar com os seus sentimentos, pegou nos livros, foi ao balcão pagar e saiu do café.
Estava a estacionar o carro em frente ao portão de casa, quando viu Hugo aproximar-se.
Vinha a correr e aparentemente já tinha feito alguns quilómetros de exercício antes de ali chegar.
- Ei! Olá! – respondeu ele ofegante.
- Olá! – respondeu Isabel o fitando de alto a baixo, por algum motivo ele parecia mais atraente e mais normal quando estava transpirado e ofegante. – Não sabia que corrias…     
- E não corro, só quando estou com muito stress! -. Respondeu ele rindo.
- Ah, pois, desculpa por isso! – disse a Isabel percebendo que era ela o motivo de stress dele. – Vou para dentro…
- Não foi isso que eu queria dizer… - desculpou-se ele.
- Ambos sabemos que isso tem um fundo de verdade…
Por muito que não desejasse aceitar, ela tinha mudado a vida dele, e apesar de ele não ter a obrigação de cuidar dela, ele tinha-o feito e agora não podia simplesmente voltar atrás e fazer de conta que isso nunca tinha acontecido.
- Isabel… - disse ele aproximando-se dela, estavam tão perto que Isabel sem saber como nem porquê, desejou que ela a beijasse, que houvesse da parte dele mais algum sentimento que não a de um amigo ou protetor.
- Não te preocupes com isso, não vais precisar de cuidar de mim para sempre… Depois deixo de ser tua responsabilidade…
- Não se trata disso. – disse ele, contudo a voz saiu abafada - Merda! O que é que se passa comigo?
- Precisas de alguma coisa? – perguntou ela ao perceber que ele estava em conflito com algo.
- Sim. – disse ele aproximando-se ainda mais dela e beijando-a.
Isabel sentiu primeiro os lábios dele nos dela, depois a mão dele a percorrer as suas costas até chegar ao seu pescoço, e de repente Isabel sentiu as pernas a tremer, quando a língua dele encontrou a dela e o beijo ficou ainda mais intenso, ela também o abraçou com a mão que não segurava os livros.
- Desculpa. – disse ele assim que o beijo terminou, contudo ainda estava suficientemente perto.
- Não precisas de pedir desculpa… - sussurrou ela, aproximando-se dele na esperança de um segundo beijo, queria tanto voltar a repetir o beijo só para ter a certeza que tinha sido real.
- É melhor ir para casa… - disse ele afastando-se calmamente. De repetente ele sentia-se estranho, como se estivesse a ser puxado por algo que o fazia desejar aquela rapariga.
Por outro lado, Isabel não sentia nada, e quando percebeu que ele se ia afastar sentiu-se negada e magoada, tinha sido um erro, e ele aparentemente não tinha gostado do que tinha acontecido. De repente ela já não queria mais que ele a beijasse e apenas queria que ele fosse embora e terminasse de uma vez por todas com aquela situação embaraçosa para ambos.
- Desculpa. – disse ele por fim afastando-se. – Vemo-nos amanhã na escola!
Isabel ficou a vê-lo atravessar a rua até sua casa. Como era possível as coisas terem acontecido assim? Pela segunda vez no mesmo dia teve vontade de chorar, mas em vez disso colocou o seu melhor sorriso e entrou em casa.

    
No café Rui ajudava o Marcelo servindo alguns cafés quando de repente a Samanta entrou pela porta e se sentou numa mesa num dos cantos. Rui sorriu e aproximou-se da mesa.
- Não te estou a seguir! – exclamou ela. – Gosto do ambiente daqui!
Rui percebeu que era verdade aquilo que ela dizia e sorriu.
- Queres beber alguma coisa? – perguntou ele ainda sorrindo.
- Café, por favor. – pediu ela. Ele entregou-lhe um dos cafés que tinha na mão para levar a outra mesa. – Isso não era para outro cliente?
- Eram, mas agora são para nós os dois! – disse ele sentando-se na mesa servindo-se do outro café. – Como estás?
- Hum… - começou ela sem saber o que dizer. Porque motivo ele estava ali sentado à sua frente? Como é que ele conseguia estar tão à vontade com uma estranha? Estaria ele desconfiado que ela estava em busca de algo, ou seria ele apenas um rapaz extremamente sociável? – Tens noção que isto é estranho…
- Como assim? – perguntou ele que apesar de perceber a confusão dos sentimentos dela, não sabia muito porque motivo isso acontecia.
- Primeiro acusas-me de te seguir, agora estás sentado à mesa comigo como se fossemos amigos…
- Podemos ser amigos… - respondeu ele animadamente.
- Eu efetivamente ando a seguir-te! – confessou ela. Ele fitou-a admirado com a sinceridade das suas palavras. – Mas também é verdade que gosto do café e do ambiente daqui.
E mais uma vez ela dizia a verdade.
- Porque é que continuas a seguir-me? – perguntou o Rui, fitando pelo canto do olho o Marcelo que parecia estar atento à conversa deles, apesar da longa distância que os separava.
- Porque eu sei que fizeste alguma coisa naquela noite no bar… - confessou ela. – Fiz e refiz os meus cálculos, não estou errada… Mas não existe como explicar sem parecer maluca…
- Todos temos uma lado maluco, não precisas de te sentir mal por isso. – brincou ele.
- E depois aquele assalto… aconteceu alguma coisa também…
- Foi um momento muito tenso, é provável que tenhas ficado em choque e estejas a confundir as coisas não achas?
- Não. Aconteceram várias coisas, aquela rapariga loira estava estranha, e não era só o choque e depois, aquela tua amiga, a maneira como ela imobilizou o assaltante…
- A Alexa pratica artes marciais, ela sabe muito bem como imobilizar uma pessoa, mesmo um adversário maior que ela… Sei o que digo, já treinei com ela e jurei nunca mais repetir a experiência… - brincou ele rindo.
- E então, explica-me, porque é que o assaltante não levou o dinheiro toda da caixa? – perguntou ela por fim.
Nesse momento ele ficou perplexo, na altura do assalto tanto ele como o Marcelo, tinham percebido que por algum motivo o assaltante tinha apenas levado uma pequena parte do valor, como se efetivamente a meio do assalto ele tivesse mudado de ideias, mas acabara por se esquecer disso, e também não esperava que mais alguém tivesse reparado nesse pormenor.
- Como sabes isso?
- Quando me mandaste sair pela porta das traseiras passei pela caixa e o dono ainda estava com uma quantia considerável na mão…
Nesse instante o Rui fitou o Marcelo, que o fitava atentamente. Havia ali uma grande lacuna por preencher e ele não sabia a resposta.
- Então, conta-me lá qual é a tua teoria sobre o assunto… - Pediu ele para ganhar tempo. Ela já os achava estranhos, sabia que Rui tinha feito alguma coisa na noite em que se conheceram, e tinha percebido que a intervenção da Alexa tinha sido rápida e segura de mais, contudo nem ele sabia como explicar porque motivo o assaltante tinha ido embora sem levar o dinheiro todo.
- Não tenho. – confessou ela. – Mas digamos que é estranho que uma pessoa venha fazer um assalto, e que estando tudo a correr bem, não tenha levado o dinheiro todo da caixa. Quem se contenta com pouco dinheiro quando pode levar mais?
- Vamos ver e o ladrão não era ganancioso! – brincou ele.
- Pode ser, mas pareceu mesmo que alguém o fez mudar de ideias…
- Estavas aqui como eu, ninguém tentou fazer o desgraçado mudar de ideias… Aliás ele estava ocupado de mais a assustar a Isabel…
Neste momento uma luz de alarme acendeu-se na cabeça dele. E se tivesse sido a Isabel a fazê-lo mudar de ideias mesmo sem saber?
- És um génio rapariga! – exclamou ela sorrindo-lhe, depois fitou o Marcelo que o continuava a observar mas desta vez com uma expressão de preocupação no rosto, e só então ele percebeu que tinha falado de mais, e por isso decidiu disfarçar – Devias ir dizer isso à policia!
Samanta fitou-o chateada, por algum motivo achava que o tinha convencido de que algo estranho tinha acontecido.
- Eu vou provar que tenho razão!
- És bocado paranoica, mas por algum motivo gosto disso! – acrescentou ele com o seu habitual charme. – O que me dizes de discutirmos mais o assunto num encontro? Sexta-feira à noite?
Samanta estava genuinamente surpreendida com este repentino convite para um encontro. Mas acenou em concordância.
- Agora tenho que ir tratar de uma coisa, mas sexta encontramo-nos aqui às oito da noite… - Disse ele levantando-se. – E trás o top bonito que não se sujou no outro dia! – terminou piscando-lhe o olho enquanto se afastava e saia do café com um passo apressado."

 

Se ainda não tiveste a oportunidade de ler...   

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22 comentários:

  1. Deixando o meu elogio pela capacidade de tão bem escrever.
    .
    Cumprimentos poéticos.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  2. Amores em flor
    viva o amor, mas sem dor ´. `))))

    Bom fim de Semana com alegria, beijinhos.

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  3. Conheci agora seu blog e estou amando de verdade, suas postagens são ótimas.... Sempre estou visitando e lendo tudo que você publicar aqui!

    Parabéns!

    Meu Blog: Sorteio JF da Sorte

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  4. Isabel and Hugo- -some feelings! :)

    It's fun reading these slice of life installments :)

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  5. Olá Teresa!
    Mais um capítulo deste romance aqui nos deixas.
    Excelente partilha, minha amiga.

    Votos de um ótimo fim de semana!

    Beijinhos.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  6. A história é envolvente
    https://www.formaldressau.com/collections/red-formal-dresses

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  7. Boa tarde. Desejo bom início de semana com muita paz e saúde.

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  8. Very romantic chapter but Isabel is so sensitive (and abit moody). Thanks for the post. Happy day.

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Instragam