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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

# Capítulo # Linha Desfalecida

Linha Desfalecida - 14º Capítulo

Confesso que já não consigo imaginar uma sexta-feira sem um novo capítulo de "Linha desfalecida", por isso, e mantendo as boas tradições, aqui fica mais um capítulo da história.

Aproveito para te lembrar que tenho no canal do youtube uma playlist (que podes ouvir clicando aqui), com as músicas que semana após semana me ajudam e inspiram a escrever.

"Assim que terminou de encher a garrafa com o seu sangue Isabel arrumou tudo nos devidos locais, e aproximou-se de Hugo que fitava o rio.
- Já terminei! – disse ela estendendo-lhe a garrafa.
Num gesto automático ele pegou no recipiente sentindo o sangue dela ainda morno no interior, a sua expressão estava vazia e a maneira como ele fitava a garrafa parecida repleta de dúvidas quanto ao facto se devia ou não beber o seu conteúdo.
- Passa-se alguma coisa? – perguntou ela aproximando-se um pouco mais dele.
- Não devia beber o teu sangue… Não devias estar a fazer isto por mim…
- Não me pediste nada… fui eu que me ofereci… - acrescentou ela – Reagirias da mesma maneira se em vez de sangue essa garrafa tivesse sumo ou água?
- Não, acho que não, mas é diferente…
- Estou a tentar encarar tudo isto com normalidade, por isso aceita que eu te ofereça uma bebida!
Ele sorriu perante o argumento dela, e abriu a garrafa dando o primeiro gole.
- Ainda tens muitas coisas para aprender. – rematou ele.
- É por isso que estamos aqui não é?
- Sim. – disse ele bebendo mais um pouco e sentando-se na areia, ela também se sentou ao lado dele e procurou os cigarros no bolso. – A questão da alimentação acho que já está resolvida, pelo menos por agora! – disse ele erguendo a garrafa. – Agora tenho que te falar na sobrevivência da espécie…
A maneira como ele disse sobrevivência fez com que ela estremecesse, o conteúdo que se ia seguir parecia ser forte e delicado, e talvez com algum tipo de detalhe que ela preferia não saber.
- Ao longo dos anos temos percebido que somos cada vez mais pessoas neste estágio de evolução, e apesar de o número ainda não ser significativo temos uma grande tendência para nos agruparmos por uma questão de sobrevivência e nos protegermos uns dos outros…
- Porque é que nos haveríamos de proteger uns dos outros? Não é do interesse comum uma união? Quer dizer há séculos que as sociedades e as espécies fazem isso…
- Pois, mas aqui é que entram as particularidades sobre o que somos na realidade… A nossa alimentação é apenas o início. – disse ele bebendo mais um trago, Isabel admirou como ele conseguia beber tão calmamente. – Por uma questão de sobrevivência, nós desenvolvemos alguns dons que nos ajudam a sobreviver a camuflar a nossa existência…
Isabel começou a tossir depois de se ter engasgado com o fumo do cigarro.
- Dons? Como assim?
Ele levantou a mão e de repente uma onda invisível atravessou o rio aumentando a sua margem como se um muro de cimento invisível tivesse arrastado a água da margem para dentro do rio.
- Oh meu Deus!!! – Exclamou ela levantando-se de um salto. – Oh meu Deus!!!
Isabel começou a olhar perplexa e assustada para o que acabava de ver.
- Tens que manter a calma. Não sabemos que poder vais desenvolver, por isso tens que ter cuidado, porque podes magoar alguém sem quereres porque não controlas os teus instintos.
- Como assim??? – a pergunta soou mais como um grito, mas ela estava realmente em choque.
- Todos os poderes são diferentes… As existências de grupos servem mesmo para isso… reunir poderes que possam ser uteis para a sobrevivência de todos.
- Mas como assim posso magoar alguém? Que tipo de dons existem?
Isabel sentia a cabeça às voltas e mil e uma perguntas surgiam na sua cabeça de forma desorganizada deixando-a ainda mais confusa. Acabou por se voltar a sentar ao lado do Hugo.
- A primeira vez que percebi os meus dons estava numa discussão com uma pessoa que amo muito. Felizmente essa pessoa tem um dom que lhe permitiu absorver o impacto do meu campo de força sem grandes lesões, mas mesmo assim foi um choque, porque se ela não tivesse aquele dom poderia ter ficado gravemente ferida…
Isabel compreendeu o que ele queria dizer, e também ficou com um eco na cabeça que lhe gritava que existia algures uma pessoa que ele amava muito, o que por algum motivo a deixou triste.
- Não faço ideia que dons podes desenvolver, podes até já ter desenvolvido sem dares conta, mas prefiro ser cauteloso…
Isabel acenou com a cabeça, conseguia compreender o que ele queria dizer.
- Como posso perceber qual é o meu dom?
- Depende do dom, mas geralmente uma pessoa começa por perceber pequenas coisas, detalhes… só precisas de estar atenta…
- Agora estou com medo de magoar alguém. – confessou ela tristemente – É uma coisa quando as coisas más só nos afetam a nós, mas quando podem afetar os outros é mais difícil de lidar…
- Eu sei, mas com a prática vai ficar mais fácil, prometo!
Isabel sorriu, contudo, continuava assustada.
- Mas o que é que querias dizer com sobrevivência?
- Um dos dons que existem que existem é a absorção de poderes, seja pelo sangue, seja pela morte da pessoa às mãos do assassino… infelizmente já conheci uma pessoa assim e se a pessoa não tiver controlo ou disciplina, pode ficar louca e matar todos os que aparecem para ficar ainda mais forte…
- Mas disseste que os poderes não se repetem…
- É usual, mas não é impossível existirem duas ou três pessoas com os mesmos dons ao mesmo tempo, mas através de vários relatos sabemos que assim que uma pessoa como nós morre, a natureza volta a ajudar um elemento seguinte a desenvolver esse dom para repor esse equilíbrio.
- E existe alguma maneira de identificar essa pessoa?
- Os teus instintos vão ficar mais aguçados, por isso é que detetei que estavas a passar pela transição quando nem tu ainda sabias o que se estava a passar, mas não existe uma ciência concreta para isso…
- Tão evoluídos e não temos como identificar o perigo… - disse a Isabel.
- Eu disse que nem tudo era fácil… Por isso é que muitos de nós, dependendo da idade e da experiência do treinamento e afins consegue desenvolver um segundo poder auxiliar… Mas isso fica para outro dia, acho que já te dei muitas informações para um dia…
Isabel fitou-o com uma expressão triste, finalmente agora a imensidão dos últimos acontecimentos abatia-se sobre ela fazendo-a perceber que no fundo estava aterrorizada.
- Posso-te fazer uma pergunta? – questionou ela.
- Sim, claro.
- Consegues ser feliz? Quer dizer, depois de saberes tudo o que sabes, consegues ser feliz como eras antes de teres mudado?
- Não tanto como gostaria, mas sim, tem dias em que sou feliz."


Se ainda não tiveste a oportunidade de ler...   

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36 comentários:

  1. Bom fim de Semana
    com alegria e saúde
    e também a essa fantasia escrita e em dia.
    Bela noite Teresa, beijinhos ´. `)

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  2. Mais um belo capítulo que gostei de ler.
    .
    Cumprimentos natalícios
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  3. Que essa história cada vez mais está a ficar bastante interessante
    Beijinhos
    Novo post
    Tem Post Novos Diariamente

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  4. Very interesting to see Isabel finding out more and more. It seems she's a bit overwhelmed but that seems normal under the circumstances.

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  5. I love dido- good playlist!

    It's nice tohave a story to read on Fridays :)

    Interesting about the different powers! And I like how calmly they drink...

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  6. É sempre tão completo este blog.
    Tem todas as valências que é suposto
    😊

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  7. Muito agradável a leitura de mais este Capítulo. Parabéns e... força para continuar.



    Beijo
    SOL da Esteva

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  8. Mais um ótimo capítulo.
    Bjus!

    galerafashion.com

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  9. Bom Domingo ♡
    https://blogmariianaleal.blogspot.com/

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  10. Boa tarde Teresa. Parabéns por mais um capítulo maravilhoso.

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