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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

# Capítulo # Linha Desfalecida

Linha Desfalecida - 10º Capítulo

Devo confessar que estou a adorar reescrever a história do "Linha Desfalecida", e que com ela tenho sentido novamente aquele bichinho da escrita. Entretanto e porque a música me ajuda a visualizar as coisas que estou a escrever, decidi criar no youtube uma lista de reprodução com as músicas que me inspiram enquanto escrevo. 

"Então, subitamente a lâmina abriu-se e ele cortou a própria mão, Isabel estremeceu com o gesto de automutilação mas não se mexeu ficando apenas a observar o sangue, sem uma palavra o Hugo voltou a aproximar-se dela calmamente.
- O que estás a sentir é fome, preciso que bebas o meu sangue para recuperares as forças e a concentração, depois respondo a tuas perguntas…
- Não posso fazer isso. – respondeu a Isabel afastando-se, contudo uma parte de si pedia-lhe aquele sangue de forma desesperada.
- Não é nada de mal, os vómitos que tens tido nos últimos dias, o mau estar, a falta de sabor, é tudo normal… O teu corpo está a mudar e a evoluir, não precisas de ter medo…
- Como é que sabes?
- Porque à dois anos atrás fui eu que passei por isso. – respondeu ele, Isabel fitou-o assustada, queria gritar mais simplesmente não conseguia. – Não somos vampiros, não somos monstros, somos humanos, mas apenas diferentes das outras pessoas…
- Diferentes como? – perguntou a Isabel parando de fugir.
- De uma maneira fabulosa. – sorriu ele estendendo-lhe a mão.
Isabel sentiu que já não aguentava mais, o seu corpo pedia-lhe aquele sangue e era uma vontade incontrolável. Debruçou-se e provou com a ponta da língua, soube-lhe estranhamente bem, então colocou os lábios sobre a palma da mão ferida e bebeu.

À medida que ia saciando a sua fome, Isabel começava a questionar o que estava a fazer, tinha agido irracionalmente e movida pelos instintos, mas agora que parecia se sentir bem, começava a pensar com mais clareza. Parou de beber e levantou os olhos desconfiada para o Hugo, que a observava, não sabia se tinha bebido muito ou pouco, mas começava a temer o ter aleijado de alguma forma, pois ele encontrava-se mais tenso do que era usual.
- Estás bem? – perguntou ele estendendo-lhe um lenço de papel que tirou do bolso. Isabel assentiu com a cabeça e aceitou o lenço limpando-se. Sorrir pois percebeu que ele era um verdadeiro cavalheiro.
- Também andas sempre com lenços de papel no bolso? – perguntou ela para aliviar o clima tenso.
- Só quando sei que uma donzela em apuros vai ter que se alimentar do meu sangue. – respondeu ele com um sorriso tímido.
- É assim tão normal, ajudares donzelas com fome? – perguntou ela sem pensar nas suas palavras. Por algum motivo sentia-se mais confiante e desendivida.
- Não, foste a primeira.
Isabel sentiu-se corar, e por não saber o que dizer acabou por se instalar um silencia desconfortável entre ele, e todas as suas perguntas voltaram a emergir na sua cabeça.
- Deves ter muitas perguntas… - disse ele sentando-se na beira na beira do passeio do beco deserto.
- Tu disseste que sabias o que eu estava a sentir, disseste que já tinhas passado por isto…És como eu?
- Sim. – respondeu ele, olhando para ela que caminhava de um lado para o outro sem parar, como se este ritual a ajudasse a organizar as ideias.
- Somos vampiros? – Perguntou ela a medo.
- Não! – exclamou ele voltando a sorrir.
- Mas acabei de beber de sangue… E eu nem sequer como arroz de cabidela ou papas de sarabulho… - Isabel quase gritava as palavras, afinal de contas nada daquilo fazia sentido. – Por favor explica-me porque estou a entrar em pânico…
- Não somos vampiros nem nada sobrenatural. – começou ele a explicar. – Somos tão humanos como qualquer outra pessoa…
Isabel fitou-o ainda mais confusa, provavelmente tinha sido mais fácil para ela acreditar em vampiros do que no facto de os seres humanos incluindo ela beberem sangue uns dos outros. Fitou o Hugo que parecia escolher cuidadosamente as suas palavras.
- Pessoas como nós, estão mais evoluídas que os demais… De certeza que aprendeste na escola que o homem evoluiu do homem Neandertal, para o homo sapiens, certo? – questionou ele, ela acenou com a cabeça, porém não estava a perceber onde é que ele queria chegar. – Digamos que pessoas como nós já evoluíram para uma versão superior do homo sapiens.
- Uma espécie de homo sapiens 2.0… - brincou a Isabel, o Hugo acabou por sorrir.
- Sim, é mais ou menos isso.
- Mas, porque raio precisamos de beber sangue? Quer dizer, existem muito alimentos, e estudos apontam que uma alimentação saudável faz bem… Não estou a perceber…
- Da mesma maneira que ao longo da evolução os crânios e a dentição sofreram alterações, também o nosso organismo se alterou para se adaptar a um mundo que precisa de mudança. Se nos alimentarmos de sangue, de uma quantidade moderada, não precisamos de matar seja uma pessoa ou um animal. Porém se quiseres comer um bife vais ter que matar uma vaca… Aqui aplica-se um critério de sustentabilidade em que não precisas de produzir animais em massa para alimentar. Apenas pudemos tirar o necessário.
Isabel sentia-se confusa, mas ao mesmo tempo surpreendida, esperava ouvir tudo menos aquilo. Até a teoria do vampiro teria feito mais sentido na cabeça.
- Oh meu Deus a Greta deve ter muita inveja! – brincou ela.
- Pois… Sobre isso… - interrompeu ele muito sério. Isabel fitou-o. – Ninguém pode saber quem somos… Aliás estou a correr um enorme risco em te ajudar agora…
- Mas se vamos salvar o mundo, não seria bom que as pessoas soubessem?
- Ainda somos uma minoria, e sabes muito bem o que acontece às minorias… As pessoas que tentaram dizer o que eram ou provar o que somos, acabaram ou fechadas a serem estudadas, ou num manicómio.
- Consigo entender isso. – respondeu a Isabel. – Mas se ninguém sabe do segredo, como é que sabes tantas coisas sobre aquilo que nós somos?
- Somos uma minoria, mas na maioria das vezes temos uma existência pacífica entre nós… Conhecemos alguns das nossa espécie que estudaram e ainda estudam o que está a acontecer connosco e a partir dai criam-se teorias…
- Espera lá, disseste “conhecemos”, e tem sempre falado no plural… Quem mais é como nós?
- Não te posso dizer… Não cabe a mim expor as outras pessoas… Eles vão ter que te contar se quiserem…
- A tua irmã? Quer dizer, tenho que avisar a minha irmã, se isto for genético ela vai passar pelo mesmo…
- Não existe qualquer relação entre irmãos. Uns podem desenvolver e outros não. Não te preocupes com a tua irmã, se ela tivesse que desenvolver algo à partida já teria dado sinais…
- Oh meu deus! – exclamou a Isabel sentando-se ao lado dele e colocando a cabeça sobre os joelhos - Isto é muita informação para eu processar.
- Tens ai o teu carro? – perguntou o Hugo.
- Em frente ao café…
- Vamos fazer assim, vamos para casa, vais descansar e amanhã vamos dar um passeio para eu responder a todas as perguntas que ainda vão surgir e explicar-te mais algumas coisas que precisas de saber…
- Parece boa ideia. – sorriu ela.
- Só te peço que não contes nada a ninguém, pelo menos até saberes tudo o que precisas de saber para avaliares a situação com clareza…
- Sim… Podes ficar descansado, a minha boca está selada.
Ele acenou e levantou-se de um salto, estendendo depois a mão para a ajudar a levantar-se, ela cambaleou um pouco.
- É possível, eu estar embriagada com sangue?
- Sim, se o meu sangue estiver com álcool… - Sorriu ele – Mas eu só bebi um copo…
- Pois, acho que é uma boa altura para te dizer que tenho uma péssima reação ao álcool… - riu-se ela, mostrando as chaves do carro. – Tens a carta? – Ele tirou-lhe a chave da mão e começou a rir.
- Ai Isabel ainda agora chegaste e já estás a causar danos! – brincou ele abraçando-a e levando-a para o carro."


Se ainda não tiveste a oportunidade de ler...   

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54 comentários:

  1. Vampirescas Meninas
    sinais do tempo moderno, brinco ´.`)

    Boa e bela tarde com alegria
    que é já fim de Semana, com copofonia, pouca
    de preferencia. Beijinhos

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  2. Gostei. Talento, inspiração e criatividade a dar origem a um conto/relato muito agradável de seguir. Venha o próximo capítulo
    .
    Feliz fim de semana.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  3. Amei. Você escreve tão bem
    Beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

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  4. Conto muito interessante, Teresa.

    Desde o Neandertal passando pelo homo sapiens,
    quem sabe se não terá algum fundamento?

    Gostei muito.
    Beijo
    Olinda

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  5. Gostava tanto de saber escrever assim... <3
    Um beijinho,
    https://myheartaintabrain.blogspot.com/

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  6. Parabéns minha amiga! És uma excelente romancista.

    Bom fim de semana!

    Beijinhos!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  7. Very exciting excerpt. Thank you for sharing.

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  8. É muito legal quando a gente inicia uma história e ver a continuação, ver a história ganhando forma é lindo. To amando acompanhar.
    Beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  9. Ooh I like the possibilities here!

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  10. Um capítulo que faz prometer o que aí vem
    Gostava eu, e muito, de me sair assim ficção
    😊

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  11. Um Capítulo de cada vez a criar curiosidade para o que daí resulta.
    Parabéns, Teresa.



    Beijo
    SOL da Esteva

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  12. Gosto da escrita.

    Beijinho e bom fim de semana

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  13. Good to know that you are inspired to write again.

    Ann
    https://roomsofinspiration.blogspot.com/

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  14. Great Post! Congrats. Have a great weekend.

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  15. To straszne, jestem przerażony. Pozdrawiam. ;)

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  16. Nossa... me surpreendeu o rumo de sua escrita.
    Interessante e diferente!

    😯😘

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  17. muito bom um lindo e feliz domingo com saude bjs

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  18. Excelente capítulo. Me gustó mucho. Buen domingo. Un abrazo.

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  19. Boa tarde Teresa. Você sempre se supera em cada capítulo. Bom início de semana.

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  20. Olá Teresa!
    Passando por aqui, para desejar uma ótima semana com tudo de bom.
    Beijinho!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  21. Estou por aqui, oh!
    Tô cheio.
    Cheio de saudade de você,
    Teresa e nem sei como aguento.
    (risos e beijos)

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