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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

# Capítulo # história

Linha Desfalecida - 3º Capítulo

Estou a gostar do desafio de (re)escrever a história do Linha Desfalecida, e confesso que também estou muito feliz com o vosso feedback positivo que me foi dado nas últimas semanas.

"Depois do almoço a Samanta tinha pensado aproveitar o sábado para ler um pouco, porém sentia-se nervosa e inquieta. Olhou para o cesto da roupa suja onde estava top que usara na noite anterior. Alguma coisa parecia não fazer sentido. Não tinha pensado nisso durante toda a noite, mas agora que recordava as coisas parecia tudo muito estranho.
Sentou-se no sofá, reviveu uma, duas e três vezes o que tinha acontecido. Apesar de não encontrar nada de estranho a sua mente analítica dizia-lhe que alguma coisa estava errada. Estava habituada a pormenores e detalhes que falhavam e ela era perita em encontrar erros.
Rebuscou na sua mente as coisas que vira pelo canto do olho, as pessoas que estavam o local onde estavam, tudo fazia sentido, se o rapaz das imitações caiu sobre a empregada e por sua vez as bebidas caíram sobre a parede e o chão. Era uma questão de tempo, se ela tivesse encontrado o isqueiro uns segundos antes tinha visto as coisas e tinha-se afastado.
Parou e abriu a boca. O erro estava ali. O erro daquele problema era o tempo. Ela tinha sido puxada pelo menos uns 5 a 7 segundos antes da bandeja cair. Ou seja segundos antes do rapaz das imitações tropeçar e ir contra a empregada.
A questão que se levantava agora era: Como é que o rapaz sabia que aquilo ia acontecer?

O almoço também tinha sabido a palha, Isabel começava a ficar frustrada por não estar a conseguir sentir o sabor dos alimentos, mas mesmo assim comeu alguma coisa para não ficar com o estômago vazio.
Horas depois de almoçar ela saiu de casa para ir dar uma corrida num jardim perto de casa. Sentia-se melhor e a noite mal passada era apenas uma recordação.
Chegou a casa a transpirar, optou por entrar pela porta as traseiras, ouviu a voz da irmã seguida da voz de Eveline. Estavam as duas na garagem e parecia estar a decorrer uma discussão. Como não era a primeira vez que as duas amigas discutiam Isabel optou por ir diretamente para casa. Por algum motivo sentiu um cheiro forte, ocre mas ao mesmo tempo doce. Pensou que possivelmente algum vizinho estaria a cozinhar e isso abriu-lhe o apetite.
Entrou na cozinha e abriu o frigorífico, e sorriu ao ver o resto de um bolo de ananás, tirou-o o colocou o prato na bancada. Por algum motivo sentia tanta fome que pegou no bolo com as mãos e começou a comer como se nunca tivesse comido tamanha iguaria. Apesar de diferente o bolo estava bom, contudo faltava algo, e assim que acabou com o bolo abriu os armários. Acabou por comer mais um pacote de bolachas. Metia a comida à boca de forma sôfrega e apesar de achar o seu comportamento rude não conseguia parar.    
Quando acabou o segundo pacote sentia o estômago a dilatar, porém regressou ao frigorífico e vendo as sobras do jantar do dia anterior atacou-o.
No momento em que acabou de comer o esparguete olhou para a bancada e para as mãos, estava tudo sujo e ela estava suja de molho na cara, nas mãos e na roupa. Sentiu-se envergonhada pelo que tinha feito. Por algum motivo tinha agido como um animal esfomeado. Arrumou a cozinha e correu a fechar-se no quarto para se lavar.
Despiu-se ficando apenas em roupa interior e entrou na casa de banho. Estava com a boca toda suja, tinha molho até nos braços, começou a lavar-se. Quando se fitou ao espelho viu que tinha migalhas presas ao cabelo. Como é que fora capaz de fazer aquilo? Estava com fome, mas comer aquilo tudo daquela maneira não parecia correto. De repente sentiu-se tonta, conseguiu arrastar-se até à cama antes de desmaiar.
    
Samanta vestiu um vestido de ganga e umas sapatilhas, saiu de casa com uma única pergunta na sua cabeça: " Como é que ele sabia que aquilo ia acontecer?"
Sabia que era fisicamente impossível tal acontecer, mas também sabia que ela não se tinha enganado, ela tinha a certeza de só ter ouvido as exclamações das pessoas segundos depois de ter sido puxada, mas não fazia sentido.
Sentou-se na esplanada e observou atentamente as pessoas que lá estavam. Mediu mentalmente o espaço. Escreveu um numero no seu bloco de notas. Calculou o lugar em que cada um dos intervenientes estava. Calculou o tempo que um jovem com cerca de 55 quilos demoraria a cair e o impacto que teria na empregada. Calculou depois o tempo que demoraria ela a cair com o tabuleiro. O número que resultou desses cálculos assustou-a. Era impossível, alguém se aproximar dela e afasta-la do local mesmo que essa pessoa tivesse visto o rapaz a cair. Na melhor das hipóteses quem a tirou da frente do tabuleiro falharia por segundos e algumas partículas da bebida a teriam molhado.
Ela não estava louca. Aquele rapaz afastara-a antes mesmo de o adolescente tropeçar e cair."

 
 

 Se ainda não tiveste a oportunidade de ler...

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29 comentários:

  1. Que gostei bastante de conhecer mais um capitulo dessa história
    Beijinhos
    Novo post
    Tem post novos todos os dias

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  2. me ha encantado este tercer capitulo, a por el siguiente guapa

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  3. Hmm now I'm very curious. Thank you for sharing!

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  4. Esta historia esta cada vez mais interessante e enigmatica :)

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  5. Gostei de ler. Tem estilo...
    Vamos continuar seguindo.


    Beijo
    SOL da Esteva

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  6. Interesting.
    Good writing.

    Have a great day!

    Ann
    https://roomsofinspiration.blogspot.com/

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  7. Também gostei deste capítulo. Continua.
    Bom domingo e boa semana, querida amiga Teresa.
    Beijo.

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  8. Thanks for sharing more of your writing :)

    Hope you had a great weekend :) We had so much fun at the Lego exhibition at the museum yesterday.

    Away From The Blue

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