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sábado, 25 de julho de 2020

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (92º Capítulo)

E pronto, chegou a hora das despedidas, por quase dois anos, este grupo de amigos, animou as minhas semanas, e espero que as tuas também.
Agora que todas as perguntas que se formaram durante cerca de 90 semanas foram respondidas, está na hora de fechar este livro com as devidas despedidas.
"Fazemos a viagem em três carros que viajam um atrás do outro, acompanhados de um calor de quase 40º. No carro da Joana sigo eu, a Lili e a bebé (que já cresceu bastante) Vitoria, e claro, como não podia deixar de ser ao seu lado vai a Peach que se tornou a melhor companhia da criança.
No carro atrás de nós viajam a Ana, o Ivo e o Rodrigo (que vai no banco de trás com o Mário e com o Luigi) e atrás deles, com o Fábio ao volante viajam o Artur, a Carlota e ao Dinis.
Quando chegamos à herdade no Alentejo onde vamos passar férias tudo parece calmo, mas o calor é insuportável, por isso refugiamo-nos todos dentro de casa onde o calor é quase esquecido graças ao ar condicionado.
- Nem acredito que finalmente estamos de férias! - Exclama a Ana sentada no chão fresco ao lado do Luigi que lhe levou o seu brinquedo favorito.
- Nem acredito em tudo o que aconteceu nos últimos meses... A quarentena, a Inspetora... - Começa a Joana enquanto se serve de uma bebida.
- O casamento da Ana do Ivo... As relações que começaram e acabaram... - Digo enquanto acendo o meu cigarro. - Falo obviamente da minha pessoa! - Brinco. Todos riem.
- Mas sejamos sinceros, mudou muita coisa no último ano... - Concordou o Artur sentando-se no sofá ao lado do Fábio, e fitando a barriga da irmã que apesar de quase não se ver, esconde já um pequeno bebé.
- As coisas estão a mudar muito depressa... - Diz o Rodrigo.
Ele foi talvez aquele que mais amadureceu no último ano, e o que mais do que nós todos, deve sentir o impacto dessa mudança.
- Sei que somos amigos, e que nada pode mudar isso, mas a nossa vida está tão deferente... Será que daqui por dois ou três anos ainda vamos fazer as coisas que fazemos hoje? - Pergunta o Ivo estendendo uma cerveja à Ana. Também ele se sentou no chão ao lado dela.
- Vamos fazer um acordo! - Diz o Artur levantando-se de um salto. - Aconteça o que acontecer, vamos prometer que de hoje a 10 anos, nos vamos encontrar no nosso café e vamos estar todos juntos, independentemente de alguma relação ter terminado, ou começado, dos vossos filhos crescerem, vamos nos reunir. São dez anos, um ano por cada um de nós... E isso não quer dizer que a gente não se vai ver mais, quer apenas dizer que vamos ter a nossa tradição para celebrar a amizade.
Todos concordamos e brindamos a isso. As amizades verdadeiras são para toda a vida, mas toda a vida é muito tempo, principalmente quando tentamos conciliar 10 vidas completamente diferentes.

10 anos depois

Aproximo-me do café calmamente, já passei a barreira dos 40 e apesar de estar sozinha, sinto-me bem comigo mesma. O Mário acompanha-me, já tem quase 12 anos e a idade começa a fazer-se sentir. Ele tem andado deprimido, desde que o Luigi morreu com um problema renal à três meses, e eu acho que está na altura de adotar outro animal para lhe fazer companhia.
Tenho que sorrir, afinal de contas passaram 10 anos e o nosso café está na mesma, vimos aqui ainda com muita frequência, talvez uma ou duas vezes por semana, e sabe bem, este será sempre o nosso café e o nosso ponto de encontro.
- Boa noite Eduarda, café? - Pergunta-me o dono do café assim que eu coloco os pés na esplanada.
- Claro que sim senhor Carlos!
Aproximo-me da mesa, onde a Ana e o Ivo me esperam e sorriem.
- Esta tradição é muito bonita, mas hoje graças a ela, senti-me muito mais velha! - Exclama a Ana rindo.
Não sei se ela dorme dentro de um frigorifico, mas, apesar de idade já se notar, ela continua com excelente aspeto. Trocou os longos cabelos loiros, por um corte mais curto e maduro, os seus fatos impecáveis, lembram-nos constantemente que ela é advogada de sucesso e sócia de uma das maiores empresas de advocacia do país.
Ela e o Ivo decidiram não ter filhos, foi um sonho adiado por motivos profissionais, tão adiado que neste momento eles nem ponderam essa hipótese.
- Boa tarde! - Diz a Lili assim que chegou à mesa e se sentou. A Vitória sentou-se na cadeira ao lado e sorriu para todos, com cerca de 11 anos, ela está tornar-se numa bonita mulher, apesar de ter ainda um rosto infantil.
Tanto a Lili e a Vitória ainda vivem com a Joana que as trata como filhas, apesar do espírito de companheirismo. A Lili conseguiu entrar na faculdade e hoje trabalha como jornalista, e tem cuidado da filha de uma forma exemplar.
- Vocês são sempre os primeiros! - Brinca o Artur enquanto nos vai dando beijinhos e abraços. Temos que juntar mais uma mesa, ele vem com o Fábio e com os dois filhos do Fábio. O casal ficou com a custódia destes dois adolescentes à cerca de 6 anos depois da ex-mulher do Fábio ter falecido com cancro dos pulmões. De inicio não foi fácil para as crianças na altura com sete e nove anos aceitarem o Artur e o facto de o o pai, deixado a mãe porque gostavam de homens mas depois com o passar dos anos, eles aprenderam a respeitar, mas acima de tudo tratam o Artur como um verdadeiro amigo e companheiro. Também a Peach os acompanha de forma muito vagarosa, ao que parece ao longo dos anos ela tem vindo a desenvolver alguns problemas nos ossos, apesar de bem está um pouco mais limitada.
- Vamos ter que juntar mais uma mesa! - Exclama o Rodrigo chegando na companhia da Joana.
Esta para mim foi uma das melhores surpresas de sempre. Apesar do desejo da Joana de ter filhos nunca se ter realizado, eles mantém uma relação discreta, e cuidam da Lili e da Vitória como filhas. Eles decidiram tentar novamente, mas não passaram ainda da fase do eterno namoro. Cada um mantém a sua casa, e o respeito pelo espaço do outro e a verdade é que funciona assim há quase 7 anos.
E para aqueles que se estão a perguntar, sim, a Joana continua fabulosa, apesar das pequenas rugas que começaram a surgir no seu rosto. É verdadeiramente uma quarentona, toda gira e boa.
O Rodrigo amadureceu bastante, deixou o seu trabalho em call center e foi trabalhar para uma fábrica de distribuição, com o passar dos anos tornou-se encarregado, e tem finalmente alguma estabilidade financeira. E se vocês se estão a perguntar se ele continua jeitoso, devo vos dizer que, tanto ele como o primo, frequentam o ginásio de forma religiosa para manter tudo no sitio e evitar os efeitos que a gravidade tem nas pessoas.
Continuamos a conversar até que finalmente meia hora depois, a Carlota, o Dinis chegam, ele trás pela mão o filho de 9 anos a quem deram o nome de Afonso em homenagem ao pai da Carlota que morreu naquele terrível tremor de terra. Um rapazinho muito bonito, que infelizmente herdou do pai aquela estranha falha nos dentes, mas que é bem disfarçado por um maxilar bem defino mesmo para uma criança.
Nos braços a Carlota trás o mais recente membro da família, agora com sete meses, a Júlia faz as delicias de todos nós. Também esta criança recebeu o nome da avô que faleceu apenas alguns meses depois do irmão mais velho ter nascido, devido a um ataque do coração.
- Estás atrasada! - Brincou o Ivo acendendo um cigarro. porque só na meia idade, é que ele se lembrou de ter um vicio!
- Experimenta sair de casa com duas crianças pequenas e diz-me alguma coisa... - Reclama a Carlota, deitando a bebé no carrinho. - Tantos avanços tecnológicos e nada que faça os putos adormecerem magicamente.
- Estás rabugenta! - Digo com um sorriso enquanto olho para a minha afilhada.
- Preciso de voltar a trabalhar, estar em casa com os rebentos está a dar cabo de mim! - Exclama ela. - Mas não falemos de mim, contém-me as novidades...
- Eu ia contar como o nosso vizinho do lado direito nos convidou para um jantar de despedida. Estamos todos convidados, ele disse que durante tantos anos a detestar-nos acabou por gostar de nós e agora que ele vai trabalhar para a Holanda, queria se despedir... Uma espécie de pedido de desculpa.
- Um pedido de desculpa com quase 10 anos de atraso, mas tudo bem, se é para comer de graça eu alinho! - Brinco. - Já agora quem é que me pode alojar durante um mês?
- O que se passa? - Pergunta o Artur preocupado.
- Nada de mais, decidi fazer umas obras em minha casa e deitar abaixo a famosa porta secreta. - Explico, se bem que atualmente a porta não tem nada de secreto.
- Podes ficar lá em casa... Ter-te por lá com o Mário, vai ser como se tivéssemos um filho adolescente! - Brinca a Ana. - Estou a brincar, vai ser bom, como nos tempos da quarentena...
- Nem me lembres disso! - Diz o Ivo. - Nunca trabalhei tanto na minha vida...
Começamos todos a falar e a contar histórias que os mais novos ouvem atentamente, cresceram a ouvir as nossas histórias, e já fizeram parte de algumas... Nós crescemos, eles também, e conseguimos manter reunidas as nossas famílias. Aliás, na verdade nós somos uma só família, uma grande família que começou com sete pessoas e foi crescendo até termos 15 pessoas reunidas na mesma mesa. Acho que depois disto podemos dizer que nos saímos muito bem, não acham?"

Espero que tenham gostado do final. Ficaram surpreendidos com algum dos finais? Qual foi o vosso favorito.

1ª Parte - Eduarda
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2ª Parte - Rodrigo
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3ª Parte - Carlota
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4ª Parte - Artur
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5ª Parte - Eduarda
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17 comentários:

  1. Vou ter saudades deste grupo tão intenso, alucinado e apaixonado :)

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    1. Eu também vou ter saudades... nem imaginas... Mas novos projetos vão surgir!

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  2. I lovereading your story! please keep writing and updating!

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  3. You are a talented write, what a nice way to end everything!

    Hope that you had a lovely weekend! :) We had a nice day yesterday at the photo studio picking out some photos after our family photo shoot last week!

    Away From Blue

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  4. Um fim que é bom Teresa
    que avida proporciona muitas mais '_~))

    Uma bela Semana
    Beijinhos

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