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sábado, 11 de abril de 2020

# Capítulo # tinha tudo para correr mal

Tinha tudo para correr mal (78º Capítulo)

Os dias continuam a ser de isolamento, e as saudades apertam, confesso que tenho uma certa vontade de "fugir" do isolamento através das história, mas não me parece justo fazê-lo. Quero que este grupo de amigos seja um exemplo para todas as pessoas, por isso hoje continuamos mais um daqueles capítulos em que as personagens continuam isoladas:
"Pior que fazer anos no dia de natal e dividir todas as atenções com Jesus, é fazer anos durante a quarentena
- Devia ser proibido as pessoas celebrarem aniversários numa altura em que tudo está em suspenso. - Reclama a Joana. - Quer dizer, porque é que simplesmente não se adiam os aniversários para o próximo ano e fazemos de conta que isto não aconteceu?
- Porque isso significava que eu envelhecia um ano e tu não. - Reclamo.
- E que culpa tenho eu que tenhas feito anos antes de tudo isto acontecer? - Pergunta a Joana aborrecida.
- Nenhuma, da mesma maneira que eu não tenho culpa que estejamos em estado de emergência no teu aniversário. Vais fazer 32 anos como eu, e não se fala mais no assunto. - Termino atirando a bola ao Mário que se diverte a correr da esfera vezes e vezes sem conta ao longo das últimas semanas.
- E o que é que vamos fazer para celebrar? - Pergunta o Artur sentando-se no muro.
- Acho que devíamos dar um passeio, sei lá algo extravagante. - Diz a Joana com sarcasmo.
- Por acaso... - Digo eu atirando novamente a bola ao cão. Como é que ele não se cansa de fazer o mesmo vezes e vezes sem conta todos os dias?
- Deixa-me adivinhar, tu já tens planos? - Pergunta a Ana mostrando um sorriso.
- Obviamente! Ou eu não me chamasse Eduarda!
- Pessoal! Venham todos cá fora, a Edu tem planos para o aniversario da Joana. - Grita o Artur.
E pronto, de repente, como cogumelos selvagens aparecem mais 4 cabeças no muro. Esta gente deve estar mesmo aborrecida pois aparecem ao mínimo sinal de novidades. Mas sejamos honestos, nos dias que correm todas as novidades são bem-vindas.
Conto-lhes o meu plano que implica um churrasco, um bolo encomendado numa pequena pastelaria que faz entregas ao domicilio e ainda foguetes que consegui comprar na internet.
- Espera lá, compraste foguetes? - Pergunta o Dinis admirado.
- Ainda pensei comprar insufláveis, mas não me pareceu boa ideia tendo em conta a situação atual... - Respondo com o meu habitual sarcasmo. - Não se preocupem comprei tudo em pequenas empresas para ajudar o comércio e as lojas pequenas a terem algum trabalho... Imagino que nestes dias as coisas não estejam fáceis... 
- O nosso vizinho não vai gostar nada do jogo de artifício... - Brinca a Ana que bem lá no fundo adorou a ideia.
- Estou com a esperança que ele não fique muito chateado... - Respondo - Afinal vou lhe enviar um bolo para que ele se possa juntar a nós quando estivermos a cantar os parabéns...
- Compraste bolo para o Grinch? - Pergunta a Lili admirada.
- Ah calma lá... Não estou só preocupada com ele, estou preocupada com a rua toda, por isso, todos eles hoje vão receber um uber eats com uma caixa de cupkapes e com um papel a explicar que assim que o primeiro foguete sair deste jardim, todos se devem vir à janela, ao jardim, ou à varanda para cantar os parabéns! - Respondo orgulhosa não só de conseguir que uma rua inteira cante os parabéns à Joana, mas por ter usado o meu dinheiro para levar comida a algumas pessoas, mas acima de tudo por ajudar uma pastelaria que estava em via de fechar devido à situação atual.
- Estamos a falar de cerca de 100 pessoas que vivem nesta rua! - Exclama a Joana admirada.
- Já deve dar para fazer algum barulho não acham? - Respondo eu com um sorriso.
- Oh meu Deus, é a melhor prenda de sempre! - Exclama a Joana. - Queria-te abraçar, mas...
- Não te preocupes... Vamos ter muito tempo para nos abraçarmos, além disso, terias que abraçar todos nós, porque eu só tive a ideia, eles deram algum dinheiro para ajudar nas despesas mesmo sem saber o que eu ia fazer... 
- Vocês são mesmo especiais... - Diz a Joana com uma lágrima no canto do olho.
- Não chores... Senão nós vamos chorar todos! - Exclama a Carlota.

Nessa mesma noite...

Encarreguei o Dinis e o Artur de lançarem o primeiro foguete às 21h30, enquanto enchíamos as taças de champanhe e as disponhamos no muro. Acendemos as velas do bolo que estava pousado sobre o muro. Também nós subimos para o muro para vermos as casas da pequena urbanização. 
Juro que não sei como é que este muro aguenta com tanta coisa!
Aos poucos, levados pelo som do primeiro foguete os vizinhos foram surgindo às portas de casa, nos jardins, nas janelas, nas varandas, todos seguravam na mão um cupcake com uma vela. De repente toda a rua estava iluminada por pequenos pontos de luz.
Tento controlar uma lágrima ao ver que a Joana está a chorar, a Ana traz-lhe um tablet onde os pais delas em vídeo chamada lhe cantam os parabéns. No telemóvel do Rodrigo também o Ivo que está a trabalhar no hospital lhe canta os parabéns e um a um juntamos as nossas vozes às deles. Também os vizinhos cantam. 
No espaço de duas semanas é a segunda vez que estas pessoas completamente desconhecidas cantam juntas, e ver e ouvir algo tão simples e poderoso é uma lição para todos nós. As coisas não estão fáceis, ninguém está a ter uma vida fácil e todos nos estamos a privar de algo que é importante para nós, mas se continuarmos unidos, se ajudarmos o próximo, vamos todos ficar bem."

Confesso que escrever capítulo me animou e ajudou a ter fé num mundo em que vamos todos ficar bem. Espero que ele vos anime como me animou em mim, numa semana em que tenho andado deprimida e preocupada.

1ª Parte - Eduarda
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19 comentários:

  1. Um episódio muito interessante. Gosto da criatividade da Eduarda.
    Abraço e boa Páscoa

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  2. Sempre muito criativa. Que nunca lhe falte a inspiração
    .
    Desejando uma Páscoa muito feliz para si, extensivo a toda a família.

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  3. Olá!
    Amei os quadrinhos, espero ver muito mais por aqui. Acho incrível esse trabalho.
    Beijocas.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  4. Ora muito bem!
    -
    "Neste tempo que nos resta..." | Uma Santa Páscoa | .O tempo pode ser curto e o amanhã já ser tarde. A Páscoa continua, as vidas não. Por isso, façamos do nosso próprio lar o imaginário da família em volta da mesa. A praia que gostaríamos de visitar... O parque florido iluminado pelos raios de sol... Façamos a nossa obrigação. Ficar em casa, porque do nosso lar iluminado podemos sempre falar com quem está longe, ou mesmo ali ao lado... PÁSCOA FELIZ.

    Beijo e abraço, virtualmente carinhoso.

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  5. Quando temos o coração no sítio certo, não importa se as pessoas se conhecem ou não, porque a empatia e o sentido de comunidade manifestam-se de imediato!

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  6. Uma Santa Páscoa em harmonia e simpatia ao momento que arcamos
    que com alegria e fantasia, tudo mais será -_'''

    E todos os dias uma Lebre com as crias (?)
    vem aqui comer a relva do Jardim -.`)))

    beijinhos e um belo Domingo pra vocês.

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  7. Tens imensa criatividade, parabéns :)
    Um beijinho,
    http://myheartaintabrain.blogspot.com/

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  8. É bem raro dar de cara com este tipo de histórias.. Vou ver se tiro um tempo para ler alguns capítulos :)

    https://blogda-joana.blogspot.com/

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  9. Bastante interessante. Quero continuar a acompanhar a história.
    Beijinhos

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  10. Amei esse capítulo, ainda não havia lido nenhum. vou começar do início
    beijos
    http://www.dearlytay.com.br/

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  11. Adorei o capítulo... criatividade e solidariedade... é sempre uma boa combinação!
    Adorei este aniversário bem especial! Beijinhos
    Ana

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