domingo, 10 de fevereiro de 2019

# guest post # trabalho

Guest Post: A maternidade e a conciliação do trabalho com a família

"O ano de 2016 marca o primeiro ano do resto da minha vida: foi o ano em que fui mãe e que os meus dias mudaram para sempre. Ser mãe muda-nos a forma de pensar e a forma como encaramos o dia-a-dia. A minha forma de ver a maternidade pretende ser descomplicada, aproveitando os pequenos detalhes de cada dia e apostando em desenvolver a autonomia e a autoestima do meu filhote. Com isto no horizonte, nasce, em Dezembro de 2016, o blog Mom descomplicada. Este será o meu ponto preferido de partilhas sobre esta aventura da maternidade, sem nunca esquecer que por sermos mães, não nos devemos esquecer de sermos mulheres.

Costuma dizer-se que o maior desafio da vida de uma mulher é a maternidade. Desde o momento em que vemos a risca cor-de-rosa no teste de gravidez, o nosso chip muda… Mesmo que não tenhamos consciência disso, o nosso cérebro começa a estruturar todas as suas ligações para dar resposta ao crescimento de um bebé dentro de nós. As mudanças são físicas e psicológicas, mais ou menos pronunciadas, e isso vai refletir-se na nossa forma de encarar diferentes campos da nossa vida.
Nos dias de hoje, quase todas trabalhamos fora de casa. Apesar das diferentes formas de trabalho que já vão tendo mais adeptos (como trabalhar a partir de casa), a sociedade portuguesa ainda é muito tradicional neste aspecto… Quantas pessoas conhecem que optam por trabalhar a partir de casa e não recebem críticas dos seus chefes e colegas de trabalho?! Como consequência, a maioria das pessoas ainda trabalha fisicamente fora de casa, com horários mais ou menos prolongados, e isso acaba por afectar os planos que se tem em relação à família. Os horários de trabalho que temos, e a forma como encaramos esse trabalho, faz-nos ter de decidir que caminho seguir quando decidimos ser mães.
E pronto… Fazemos o teste de gravidez, dá positivo e vivemos cerca de nove meses ansiosas pelo dia do nascimento do nosso bebé. Chega o grande dia! Aparecem os primeiros receios, as primeiras dúvidas… Seremos capazes de mudar fraldas? Vamos conseguir amamentar ou vamos ter de optar pelo biberão? E depois, como vamos viver a licença de maternidade? Já estão a ver… Estas e muitas outras perguntas aparecem na nossa cabeça e começamos a idealizar outros caminhos que não o que seguíamos até sermos mães.
Sejam sinceras… Quantas de nós, depois de termos o nosso bebé nos braços, não tivemos vontade de mudar de vida e abraçar um projecto só nosso? Um daqueles que nos permitisse sermos donas do nosso próprio horário e conseguirmos ter mais tempo disponível para este pequeno ser tão dependente de nós? Eu incluo-me neste grupo… Muitas são as mulheres que “dão o salto” e acabam por seguir o caminho do empreendedorismo e criam o seu próprio negócio. Conheço vários casos e são de aplaudir de pé por essa coragem de abandonar um emprego de estabilidade para optar pelo caminho de maior conexão e tempo livre para os seus filhos mas de maior incerteza quanto ao trabalho.  Tomarmos uma decisão destas, que nunca acontece de ânimo leve, ajuda a diminuir a possibilidade de um conflito entre o nosso papel de mãe e de profissional, habitualmente chamado de conflito trabalho-família. Este conflito afecta tanto homens como mulheres por isso nada de pensar que isto é apenas coisa de mulheres, que está associado ao género e que é apenas mais uma esquisitice do sexo feminino… Antes pelo contrário! Trata-se de um conflito cada vez mais presente na nossa sociedade e são cada vez mais os casais que o sentem na pele, de forma mais ou menos crua e para o qual devemos estar atentos para que as consequências não sejam mais graves.
Estão a ver aquele maravilhoso smartphone que nós temos com a conta de Outlook do nosso trabalho lá adicionada? Estão a ver aquele plim plim de emails sempre a caírem aos quais não conseguimos resistir? Estão a ver o chefe que nos liga fora de horas, aos fins-de-semana, nos períodos das férias ou quando estamos a descansar? Pois… As novas tecnologias têm destas coisas… Tudo tem um lado positivo e um lado negativo e é preciso pesar os prós e os contras desta proximidade facilitada em relação ao nosso trabalho. Será que é assim tão positivo estarmos sempre permanentemente ligados ao nosso local de trabalho? A que preço mantemos essa disponibilidade? Quantas brincadeiras ficam por fazer? Quantas gargalhadas ficam por dar? Quantos abraços ficam perdidos no tempo? Já tinham pensado nisto?!
Quando me convidaram para escrever este post, desafiaram-me a escrever sobre o mundo da maternidade já que é um assunto que nunca foi abordado por aqui. Como adoro escrever e partilhar um pouco da minha experiência, é claro que aceitei de imediato e achei que falar um pouco sobre formas de contornar, no nosso dia-a-dia, este conflito entre trabalho e família podia ser algo muito positivo para quem está desse lado. Vamos então conhecer algumas das estratégias que utilizo no meu dia-a-dia para não sentir de remorsos por estar dedicada à família ou ao trabalho? Vamos a isso?

Smartphones longe da vista, do coração… E das nossas mãos!

A evolução dos telemóveis e a Internet sempre disponível à distância de clique faz-nos ter acesso, a partir de casa, tanto ao email do trabalho como a outra informação com ele relacionada. Ao mesmo tempo, os computadores existem em quase todas as casas e nem toda a gente consegue resistir à tentação de trazer trabalho para casa numa pen. Estão a rever-se nisto?! Sugestão: arranjem uma caixa onde colocar os telemóveis da família assim que chegam a casa. Assumam o compromisso entre vocês de que os telemóveis ficarão lá e não se cairá em tentação de ir consultar o email do trabalho quando é suposto estar-se a jantar em família. E isto é válido para Facebook, Instagram, Twitter e afins! Ou seja, miúdos e graúdos devem assumir o compromisso de deixar estas tecnologias longe da vista e do coração, para relações familiares mais fortes e maior conexão entre todos!

Puxar da almofada e sentar no chão
Trabalhar fora de casa costuma ser sinónimo de muita coisa em casa para arrumar ao final do dia. Tanto eu como o meu marido trabalhamos fora de casa e, por isso, sei que nem sempre é fácil termos a casa toda arrumadinha, assim saída de revista. Com o passar dos anos, fui aprendendo que acumulamos muita tralha. Demasiada tralha! Isso faz com que fiquemos com muitos objectos em cada divisão da casa e isso significa mais coisas para arrumar. E já pensaram que quantas mais coisas tiverem para arrumar, menos tempo têm para estar em família e a brincar com os vossos filhos? Sugestão: eu sei que a fase de fazermos as nossas resoluções de ano novo já passou, mas vamos sempre a tempo. Definam o objectivo, em família, de tornarem a vossa casa mais livre de objectos que não vos servem, com que não se identificam e que não vos trazem boas energia. Escolham tudo o que possam dar ou vender e fiquem apenas com o que adoram. Menos coisas para arrumar significa mais tempo em família. Aproveitem esse tempo e sentem-se no chão a brincar com os vossos filhos, a desenhar, a ler ou simplesmente a falarem.

Delegar não é uma fraqueza… É uma virtude!
Delegar não é fácil. Passar a bola a outro, de forma consciente, porque sabemos que lhe podemos passar essa responsabilidade não é fácil. Desde cedo e cada vez mais na nossa sociedade, ensinam-nos que delegar pode ser sinónimo de alguma incompetência da nossa parte. Que delegar pode também ser sinónimo de não gostarmos muito de trabalhar e de gostarmos de sobrecarregar quem nos rodeia. Então se formos pessoas muito controladoras ou perfecionistas, este processo de delegar pode ser ainda mais difícil. E olhem que sei bem do que falo… Se aprendermos que é possível delegar, passar algumas das nossas tarefas a elementos da nossa equipa de trabalho e acreditar que eles vão conseguir fazê-las pode ser bastante importante para reduzirmos a cargo do trabalho sobre nós. E isso é meio caminho andado para o malvado do conflito trabalho-família não aparecer por perto. Aprendam a delegar. Confiem mais na vossa equipa. E isto de delegar é válido tanto no trabalho como em casa! Não sejam tão controladores de todas as tarefas (especialmente para o caso das mulheres…) e vejam mais as tarefas domésticas como um trabalho de equipa em que todos podem colaborar. Dividir o “mal pelas aldeias” faz com que não seja apenas um dos elementos da família a estar sempre ocupado com as tarefas da casa e assim consegue-se despachar tudo mais rápido. Preferem tratar de todas as tarefas da casa na manhã de sábado e terem o resto do fim-de-semana para passear em família? Ou é melhor concentrar esforços de todos e poderem desfrutar de tempo de qualidade em família todos juntos depois disso? E isto vai ligar à sugestão anterior… Destralhar e delegar… Keeps your conflict away!

Poderia escrever muito mais sobre estratégias para tornarmos os nossos dias mais leves, mais fáceis de organizar e com menos conflito entre o que temos para fazer me casa e no trabalho. Espero que tenham gostado desta minha pequena partilha. E já sabem: a palavra de ordem é descomplicar os nossos dias. Apenas assim conseguiremos ter mais tempo de qualidade com quem mais gostamos!

 


Muito obrigada à Mom Descomplicada pela tua colaboração, foi um prazer receber-te aqui no meu cantinho.

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37 comentários:

  1. Gostei bastante de ler e conhecer um pouco mais

    Beijinhos
    Novo post //Intagram
    Tem post novos todos os dias

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  2. Que testemunho fantástico e tão pertinente!

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  3. Antigamente as mulheres tinham mais filhos e ás vezes com pouco tempo de diferença e trabalhavam fora de casa e lá se criava tudo. A minha mãe foi uma delas, é preciso organização e tudo corre sobre rodas :)

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  4. Adorei o tema que você abordou, realmente é uma coisa bem dificil!

    https://www.nicenessbeauty.com/

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  5. Excelente testemunho :) também fui mãe em 2016, um sonho tornado realidade ao fim de muita espera, por motivos de saúde. Faço parte do desse grupo de mães que teve deixar de trabalhar fora mas pelos tais motivos de saúde. Não é fácil mas compensa tudo.
    Eu tinha saudades de mudar fraldas pois o meu mano mais novo nasceu quando eu tinha 15 anos
    :)
    Beijinhos as duas*
    https://matildeferreira.co.uk

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  6. deve ser mesmo uma fase bem dificil e delicada essa de conciliar a maternidade com trabalho etc mt bacana vc dividir isso conosco

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  7. Desconhecia o blog,...
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
    https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

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  8. Acho que em tudo nesta vida temos de nos adaptar e definir prioridades, para que consigamos viver melhor e ser mais felizes.

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  9. Que testemunho incrível! :)
    beijinhos

    www.amarcadamarta.pt

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  10. Quando se é mãe mudar fraldas é a menor das preocupações.

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  11. Um post que adorei ler!
    Excelente partilha, Isabel!
    Beijinhos
    Ana

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